A polícia de Paris decretou a proibição de manifestações em algumas áreas da capital francesa antes de novos protestos previstos para esta quinta-feira (22/10). As restrições alcançam o Palácio do Eliseu, sede da Presidência, a Praça da Bastilha, áreas próximas ao Parlamento e pontos turísticos como o Museu do Louvre e a avenida Champs-Élysées, segundo a DW Brasil.
A medida ocorre após um fim de semana de distúrbios violentos que começaram com estudantes protestando contra os preços elevados e exigindo uma reforma educacional. O movimento ganhou escala quando grupos com o rosto coberto passaram a depredar comércios e a enfrentar a polícia. Na segunda-feira, o ministro do Interior, Laurent Nunez, admitiu que as autoridades “perderam o controle” e não conseguiram prever a dimensão da violência.
O que está em vigor e o que está previsto
A proibição em áreas específicas de Paris é uma medida já decretada pela polícia, enquanto os grandes protestos do fim de semana ainda são esperados. O primeiro-ministro Sebastien Lecornu prometeu um esquema de segurança “massivo” para o evento, mas o texto não detalha o efetivo nem os locais exatos das manifestações previstas.
O país registrou duas noites consecutivas relativamente tranquilas. Ainda assim, registros de veículos queimados, fachadas destruídas e prédios danificados circulam entre políticos do país e do exterior como argumento para pressionar o governo do presidente Emmanuel Macron.
Reações e disputa política
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atribuiu os distúrbios a “migrantes, jihadistas e comunistas” e afirmou que eles haviam “conquistado, saqueado e reduzido [a França] a cinzas”. Em campanha para as eleições legislativas de meio de mandato nos EUA, Trump também disse que havia alertado Macron sobre o tema migratório, mas que o francês teria recusado medidas de fechamento das fronteiras.
Macron reagiu sugerindo que Trump e possivelmente o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, estariam tentando obter ganhos políticos com os distúrbios. Netanyahu falou em “invasão do islamismo extremista” e também está em campanha: em 27 de outubro, os israelenses vão às urnas em uma eleição que pode retirar Netanyahu do poder ou consolidar seu domínio.
O presidente francês afirmou que informações sobre a crise foram manipuladas com “imagens geradas por inteligência artificial retratando cenas que nunca aconteceram” e que isso provocou comentários “tão inaceitáveis quanto estúpidos, vindos de muitos, inclusive líderes estrangeiros”. Questionado se seus comentários se referiam a Trump, respondeu: “Entre outros”.
Na quarta-feira, a adversária de extrema direita de Macron, Marine Le Pen, chamou sua versão dos fatos de “conspiratória”. Segundo Le Pen, as imagens vistas no sábado não foram geradas por inteligência artificial e mostram “a triste realidade em que a França se transformou após dez anos de governo macronista”. A líder da extrema direita é atualmente apontada como favorita para vencer a eleição presidencial de 2027, seguida pelo candidato da esquerda radical Jean-Luc Mélenchon.
Foto: Reprodução/DW Brasil
Fontes: DW Brasil — https://www.dw.com/pt-br/frança-proíbe-protestos-em-algumas-áreas-de-paris/a-79728935?maca=bra-rss-br-top-1029-rdf





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