Redes de supermercados em ao menos 11 países europeus registraram falhas em sistemas de refrigeração atribuídas a uma nova onda de supostos ciberataques, conforme a DW. Nesta terça-feira (3), Alemanha, Romênia e Reino Unido se somaram ao grupo que já incluía Suécia, Irlanda, Holanda, Estônia, Finlândia, Bélgica e Luxemburgo.
A União Europeia (UE) afirmou que os episódios podem configurar uma tentativa deliberada de desestabilizar o abastecimento alimentar do bloco. Ainda não há confirmação sobre a motivação nem sobre os responsáveis, e nenhum grupo reivindicou a ação até o momento.
O que se sabe sobre os ataques
O porta-voz da Comissão Europeia, Thomas Regnier, informou que agências do bloco estão em contato com autoridades nacionais para articular uma resposta conjunta. Ele classificou os casos como não isolados e defendeu que a Europa esteja preparada e resiliente coletivamente para esse tipo de incidente, sem indicar suspeitos.
No Reino Unido, o diretor do Centro Nacional de Segurança Cibernética, Richard Horne, disse à BBC que o problema alcançou toda a cadeia de abastecimento alimentar do país. Conforme Horne, falhas em tecnologias foram aproveitadas e equipes atuaram ao longo da noite para avisar empresas em situação de risco.
Na Alemanha, quatro supermercados tiveram problemas, e na Romênia foram seis estabelecimentos, de acordo com autoridades e representantes das empresas. A Bélgica aparece entre os mais atingidos nesta semana, com dezenas de lojas de redes distintas afetadas nos sistemas de refrigeração; o Ministério Público federal belga instaurou investigação.
Impacto e investigação
Na Itália, levantamentos iniciais apontavam 20 estabelecimentos com falhas, e o governo convocou reuniões de emergência com chefes dos serviços de inteligência. As autoridades italianas descreveram o efeito como extremamente reduzido, restrito a poucas lojas que operavam com sistemas de segurança defasados.
Giuseppe Spadaro, diretor de um grupo que administra supermercados da rede Coop na Sicília, relatou ao jornal italiano Corriere della Sera que quatro das 300 lojas da empresa foram afetadas. Ele calculou prejuízos de vários milhares de euros e disse que os produtos precisaram ser descartados, deixando as prateleiras vazias.
Dan Cimpean, chefe da Diretoria Nacional de Cibersegurança da Romênia (DNSC), afastou a hipótese de ação de agentes estatais. Na avaliação dele, o episódio se assemelhava a um ataque semiamador.
O caso amplia a atenção de autoridades europeias com ameaças híbridas a infraestruturas críticas desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022. Em outubro, alertas sobre riscos russos à Alemanha se intensificaram, e o ministro alemão do Interior, Alexander Dobrindt, afirmou que o país sofre diariamente com uma guerra híbrida. Moscou nega repetidamente envolvimento em operações de sabotagem.
Katrien Eggers, porta-voz do Centro de Cibersegurança da Bélgica, declarou que a autoria do ataque é desconhecida e que talvez nunca seja esclarecida. Analistas citados pela DW avaliam que a ausência de pedidos de resgate financeiro pode indicar intenção de sabotagem. O setor varejista é considerado alvo acessível por usar sistemas tecnológicos complexos, ligados à internet e operados remotamente.
Foto: Reprodução/DW Brasil
Fontes: DW Brasil — https://www.dw.com/pt-br/ciberataques-a-supermercados-já-atingem-11-países-da-europa/a-79856789?maca=bra-rss-br-top-1029-rdf





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