Democratas viram o Congresso dos EUA e impõem derrota a Trump

Projeções da AP apontam maioria democrata no Senado e na Câmara, primeira governadora latina no Texas e primeira senadora indígena dos EUA.

Projeções da AP apontam maioria democrata no Senado e na Câmara, primeira governadora latina no Texas e primeira senadora indígena dos EUA.
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Os democratas conquistaram a maioria no Senado e na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, segundo projeções da agência de notícias AP e de emissoras de televisão americanas, impondo uma derrota aos republicanos e ao presidente Donald Trump nas eleições de meio de mandato encerradas em 3 de novembro. O resultado dá à oposição o controle do Congresso nos dois anos finais do segundo mandato de Trump.

Trump afirmou à Fox News estar surpreso com o desfecho e disse que a guerra com o Irã e seu impacto sobre os preços da gasolina contribuíram para as derrotas republicanas. Ele também reconheceu que os democratas fizeram um bom trabalho e declarou que poderia cooperar em temas como imigração, mas advertiu que vetará propostas com as quais não concorde.

Como os democratas chegaram à maioria

Segundo a AP, os democratas venceram pelo menos sete disputas acirradas para o Senado, em estados tradicionalmente republicanos e em estados decisivos: Kansas, Iowa, Texas, Ohio, Maine, Carolina do Norte e Carolina do Sul. O Kansas não elegia um senador democrata havia quase um século. Na Câmara, os democratas conquistaram distritos que haviam apoiado Trump por margens de até 18 pontos percentuais em 2024.

No Maine, o democrata Troy Jackson, de 58 anos, derrotou a senadora republicana Susan Collins, de 73 anos, que buscava o sexto mandato e era vista como a republicana mais vulnerável da eleição. Jackson assumiu a candidatura em julho, após substituir Graham Platner, e teve pouco mais de cem dias para se apresentar aos eleitores.

No Kansas, o pastor metodista Adam Hamilton venceu o senador republicano Roger Marshall. Também foram eleitos governadores democratas Keisha Lance Bottoms, na Geórgia; Amy Acton, em Ohio; Rod Sand, em Iowa; e Gina Hinojosa, no Texas, retirando esses cargos do controle republicano.

Marcos históricos e o recado do eleitorado

A Califórnia e o Texas, os dois estados mais populosos do país, elegeram pela primeira vez governadores latinos. Xavier Becerra, ex-secretário de Saúde e Serviços Humanos do governo Joe Biden, venceu o republicano Steve Hilton na Califórnia. No Texas, Gina Hinojosa derrotou o governador Greg Abbott e se tornou a primeira mulher latina a comandar o estado e a primeira democrata a governá-lo desde 1995.

Em Minnesota, a democrata Peggy Flanagan, atual vice-governadora, derrotou a republicana Michele Tafoya e se tornou a primeira senadora de origem indígena da história dos EUA. Flanagan é do povo ojíbua, também conhecido como chippewa.

Conforme a AP, Trump pediu aos eleitores que votassem como se ele próprio estivesse na cédula, e a maioria pareceu atribuir ao seu governo a responsabilidade pelo alto custo de vida e demonstrar desejo de que o Congresso imponha mais limites ao presidente. A vitória de Andrews sobre Darline Graham, escolhida pessoalmente por Trump para suceder o irmão Lindsey Graham, morto neste ano, foi apontada como uma das maiores surpresas da noite.

A mudança de controle do Legislativo já havia sido tratada pelo Politiza Amazonas como fator capaz de alterar a correlação de forças na política externa americana, inclusive nas relações com o Brasil, embora analistas ouvidos na ocasião não previssem revogação automática do tarifaço, como mostrou a reportagem sobre os efeitos para o Brasil.

Foto: Reprodução/DW Brasil

Fontes: DW Brasil — https://www.dw.com/pt-br/democratas-obtêm-maioria-no-congresso-e-impõem-derrota-a-trump/live-79849879?maca=bra-rss-br-top-1029-rdf; Politiza Amazonas — Maioria democrata nos EUA não enterraria tarifaço, mas abriria canais ao Brasil

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