A prefeitura de Autazes, município do interior do Amazonas, decretou emergência ambiental, sanitária e agropecuária com validade de 90 dias por causa do avanço das queimadas. O Decreto Municipal nº 075, de 11 de outubro, determinou que as aulas presenciais fossem suspensas na terça (13) e nesta quarta-feira (14), além de reforçar o combate ao fogo e adotar medidas de proteção à saúde da população.
Na terça-feira (13), um incêndio de grandes proporções alcançou vegetação no bairro Jair de Menezes, segundo o g1 Amazonas. Registros feitos por moradores mostram o fogo se alastrando e uma nuvem densa de fumaça cobrindo o céu. Bombeiros foram deslocados até o bairro para conter as chamas e proteger residências vizinhas.
Fumaça, saúde e qualidade do ar
Moradores, entre eles crianças, estavam perto do incêndio. Uma testemunha suspeitou que o fogo tenha sido ateado de propósito e relatou que um homem passou correndo pelo local. A fumaça atrapalhou a visão e a respiração na cidade, de acordo com a reportagem.
O atendente Almero Pinheiro, que presenciou a ocorrência, disse ao g1 Amazonas que aquele foi um dos dias mais complicados, com muita fumaça, visibilidade quase nula e respiração ofegante, e que várias pessoas passaram mal no local.
Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), também mostram piora na qualidade do ar do município. Na manhã desta quarta-feira (14), por volta das 10h15, a concentração de partículas chegou a 119,1 microgramas por metro cúbico, faixa que o sistema classifica como “muito ruim”. Pela escala do Selva, o ar é considerado bom quando a medição fica entre 0 e 25 µg/m³.
Como o Politiza Amazonas informou, a fumaça encobriu parcialmente a placa de entrada de Autazes na terça-feira (13), com relatos de ardência nos olhos e dificuldade para respirar.
Combate, focos e ações federais
O sargento Nascimento, do Corpo de Bombeiros, disse que há indícios de ação intencional no incêndio. Segundo ele, um morador procurou o quartel para avisar sobre o fogo, e a prioridade da equipe era impedir que as chamas chegassem às casas.
O prefeito Thomé Neto informou que a prefeitura colocou três caminhões e três picapes em campo, além de helicópteros e outras aeronaves, no combate aos incêndios. Ele também anunciou a chegada da Polícia Ambiental para reforçar a fiscalização e apurar possíveis queimadas criminosas.
Conforme o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), Autazes somou 139 focos de queimadas no período que vai de sexta-feira (10) até a manhã de terça-feira (13), o maior total do estado. Na sequência vêm Itacoatiara (59), Novo Aripuanã (42) e Manaquiri (38).
O comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), Orleilso Muniz, disse à Rede Amazônica na segunda-feira (12) que o sul do estado registra impacto menor neste ano e que os focos de calor têm se concentrado no entorno da capital, na região metropolitana e no Baixo Amazonas.
O Ibama informou ter enviado notificação prévia a 725 propriedades rurais alertando sobre o risco alto de o fogo se espalhar, e equipes fazem vistorias para checar se as determinações foram seguidas. Alguns responsáveis já foram autuados. A atuação federal se concentra em Autazes, Careiro da Várzea, Parintins e Itacoatiara.
Na terça-feira (13), o órgão informou ter apagado 292 incêndios no Amazonas entre junho e outubro, enquanto outras oito ocorrências seguiam ativas. Ao todo, 11 aeronaves foram mobilizadas na operação, entre aviões de combate ao fogo, helicópteros e aparelhos de apoio logístico.
Foto: Reprodução/Redes Sociais
Fontes: G1 Amazonas — https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2026/10/14/autazes-decreta-emergencia-por-queimadas-bombeiros-apontam-incendios-criminosos.ghtml; Politiza Amazonas — Fumaça de queimadas encobre placa na entrada de Autazes e afeta moradores




