Uma gravação obtida pela Rede Amazônica aponta que o Corpo de Bombeiros não dispunha de viatura para socorrer um incêndio na comunidade Nova Aliança, na zona rural de Manacapuru, no interior do Amazonas. No áudio, registrado em 19 de agosto, uma moradora pede a chegada do socorro e avisa que o fogo se aproximava das casas.
O bombeiro que atende a ligação explica que o veículo estava em outra ocorrência, na região do Figueirinho, e que a corporação tinha só um carro para aquele chamado. A moradora telefonou por volta das 11h30 e, quase uma hora depois, conforme a reportagem, o socorro ainda não tinha chegado.
Prejuízos e dificuldades no combate
Na comunidade, agricultores contabilizam perdas. Carlos Alberto dos Reis relata que o fogo acabou com pés de cupuaçu, cacau e abacaxi, que sustentavam a renda da família. Ele diz que as queimadas atingem a região há cerca de 60 a 90 dias e que, nesse período, os bombeiros foram à propriedade uma única vez.
Segundo o agricultor, a corporação encontra obstáculos para chegar a áreas sem estradas e não conta com equipamentos em quantidade suficiente. As chamas consumiram parte de uma cerca, danificaram uma mangueira de cerca de 100 metros usada na irrigação e chegaram perto do espaço onde ficavam os animais.
O representante dos moradores, Sidney Araújo, afirma que cerca de 170 famílias vivem na comunidade e que os próprios residentes já forneceram combustível para equipes que vinham de outros atendimentos. Ele conta que, diante da demora, moradores entram na mata para tentar conter o avanço do fogo.
Emergência e investigações
Até 13 de outubro, os incêndios florestais haviam colocado 36 dos 62 municípios do Amazonas em situação de emergência. A crise provocou suspensão de aulas, interrupção de atividades ao ar livre e reforço das operações de combate em várias regiões do estado.
O comando local dos bombeiros em Manacapuru é alvo de investigação da Corregedoria da Secretaria de Segurança Pública. Em julho, o tenente Emerson de Oliveira Silva era investigado sobre o destino de uma carga de madeira doada à corporação e suspeitas de repasse de valores a militares escalados para trabalhar no balneário do Miriti, conforme confirmado à reportagem pelo comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Orleilso Ximenes Muniz. As suspeitas não devem ser tratadas como irregularidades comprovadas.
Outro episódio envolvendo a estrutura da corporação foi o desaparecimento de uma lancha dos bombeiros no balneário do Miriti, em 14 de março. O caso foi registrado como furto em boletim de ocorrência e, segundo as informações reunidas para a reportagem, ainda não havia sido esclarecido pela polícia.
A Rede Amazônica pediu manifestação sobre as queixas dos moradores, a estrutura para atender incêndios em Manacapuru, a investigação sobre o comando local e o sumiço da lancha. O espaço segue aberto para manifestação.
Foto: Vinicius Assis/Rede Amazônica
Fontes: G1 Amazonas — https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2026/10/14/audio-revela-que-bombeiros-nao-tinham-viatura-para-atender-incendio-no-am.ghtml




