Prorrogação até 19h rendeu 0,03% dos votos, aponta levantamento com dados do TSE

Votos após as 17h somaram cerca de 34 mil a 35 mil de 127,8 milhões; maioria saiu nos cinco minutos seguintes, indica análise de logs de urnas.

Votos após as 17h somaram cerca de 34 mil a 35 mil de 127,8 milhões; maioria saiu nos cinco minutos seguintes, indica análise de logs de urnas.
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Os votos registrados depois das 17h no segundo turno presidencial de domingo, 25 de outubro, somaram cerca de 34 mil a 35 mil, o equivalente a 0,03% dos 127,8 milhões de votos computados no país. Os números constam de levantamentos feitos pela Folha de S.Paulo, pela CNN e pelo g1 com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), segundo a DW Brasil.

A prorrogação por duas horas do horário de votação foi determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e valeu até as 19h. A análise abrangeu os logs de mais de 490 mil urnas, arquivos que funcionam como diário de bordo do equipamento e guardam o momento em que o eleitor foi liberado para votar. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito com 64,2 milhões de votos, contra 59,8 milhões de Flávio Bolsonaro (PL), vantagem de 4,43 milhões de votos ou 3,5 pontos percentuais.

O que os números mostram

Os levantamentos apontam 34.330 votos após as 17h, no caso da Folha e da CNN, e 35.521, no do g1. O dado central é a distribuição no tempo: 29.001 votos, ou 84,5%, foram registrados nos primeiros cinco minutos após o encerramento regular, segundo a CNN. Depois das 18h, foram 1.993 votos, e apenas 11 entraram após as 19h.

Segundo a CNN, 468.043 das 497.897 urnas do país, cerca de 94%, não receberam nenhum voto depois das 17h. O fato de quase todos os votos posteriores terem saído logo após o horário regular sugere que muitos desses eleitores aguardavam atendimento ou já estavam votando no momento do fechamento — pelas regras eleitorais, quem está na fila pode votar mesmo depois do encerramento.

A leitura correta dos 0,03% exige atenção ao denominador: o percentual se refere ao total de votos registrados no segundo turno, não ao eleitorado apto nem ao comparecimento. Além disso, os logs mostram quando o eleitor foi habilitado a votar, e não uma contagem oficial de votos depositados fora do horário regular. Os números também variam conforme o veículo que fez o levantamento, o que a DW registra ao citar totais diferentes para o mesmo fenômeno.

Comparação com o primeiro turno

No primeiro turno, os eleitores registraram seis votos e enfrentaram filas mais longas; naquela votação, mais de 3,7 milhões de pessoas compareceram depois das 17h, sem prorrogação nacional em vigor. A comparação entre os dois turnos, portanto, envolve contextos distintos de tempo de votação e de decisão judicial.

Flávio Bolsonaro se recusou inicialmente a reconhecer a derrota e chegou a pedir a anulação da eleição, citando a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, que prorrogou a votação. Como o Politiza Amazonas informou, o senador contestou o resultado logo após a divulgação. A prorrogação atendeu a pedido do PT, que apontou problemas de transporte de eleitores; o PL também pediu extensão semelhante em 17 municípios, alegando chuvas e alagamentos.

O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que a segurança das eleições não foi comprometida e que o tribunal cumpriu a decisão nos termos em que foi proferida. Nesta segunda-feira, conforme a Folha de S.Paulo, Flávio deve desistir do pedido de anulação e sua campanha deve entrar com Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) pedindo a cassação da chapa de Lula por suposto abuso de poder econômico. O espaço segue aberto para manifestação das partes citadas.

Foto: Reprodução/DW Brasil

Fontes: DW Brasil — https://www.dw.com/pt-br/extensão-do-horário-de-votação-teve-impacto-bem-limitado/a-79770203?maca=bra-rss-br-top-1029-rdf; Politiza Amazonas — Flávio não reconhece derrota e diz que vai pedir anulação da eleição

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