O senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou neste domingo, 25 de outubro, que não reconhece o resultado do segundo turno presidencial e que vai acionar o jurídico para pedir a anulação da eleição, segundo a DW Brasil. A declaração foi dada a jornalistas em frente ao seu comitê de campanha, em Brasília, após a divulgação da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Conforme a DW, Lula obteve 51,79% dos votos, contra 48,21% de Flávio, diferença de 3,5 pontos percentuais e cerca de 4,4 milhões de votos. No primeiro turno, em 4 de outubro, o senador havia terminado à frente, com vantagem de 1,87 ponto sobre o petista.
Flávio atribuiu sua posição à decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que prorrogou em duas horas o horário de votação em todo o país. Segundo a DW, a medida atendeu a pedido do PT, que alegou problemas de transporte de eleitores em diversas cidades, e foi divulgada um minuto depois das 17h, quando milhares de seções já haviam fechado. A contagem dos votos também foi adiada em duas horas.
O que sustenta a contestação
A decisão de Zanin foi posteriormente referendada pelo ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), segundo a DW. Ainda assim, Flávio classificou a prorrogação como inaceitável e disse que a regra mudou “em cima do jogo”, afirmando que nunca saberá quantos votos teria em estados onde as urnas não foram reabertas.
A DW registra que o PL, partido de Flávio, também pediu prorrogação semelhante em 17 municípios ainda no início da tarde, alegando que chuvas e alagamentos prejudicaram o deslocamento de eleitores. Ao anunciar o resultado, Nunes Marques afirmou que a segurança do processo eleitoral não foi comprometida e que o TSE cumpriu a decisão nos termos em que foi proferida.
O cientista político Oliver Stuenkel, citado pela DW em publicação na rede X, avaliou que a recusa de Flávio tende a ser menos disruptiva que a do pai, Jair Bolsonaro, em 2022. Para ele, Flávio não controla o governo e não passou meses antes da votação lançando dúvidas sobre as urnas eletrônicas, como fez Jair. Stuenkel também considerou que a margem de Lula, de mais de 4 milhões de votos, é provavelmente ampla demais para que uma alegação de irregularidades convença eleitores além da base mais dedicada dos Bolsonaros.
Contexto
Em 2022, Jair Bolsonaro também evitou reconhecer a derrota no segundo turno presidencial e, posteriormente, foi acusado de liderar uma trama golpista para impedir a posse de Lula, conforme a DW. O ex-presidente foi condenado pelo Supremo a mais 27 anos de prisão, está preso e teve os direitos políticos cassados.
Como o Politiza Amazonas informou, Lula venceu Flávio Bolsonaro e conquistou o quarto mandato em uma virada inédita, com 51,76% dos votos válidos contra 48,24% do senador quando 99,87% das urnas estavam apuradas. A prorrogação do horário de votação havia sido noticiada antes, quando Zanin prorrogou a votação do segundo turno até as 19h em todo o país.
O material recebido não informa quais medidas jurídicas concretas já foram protocoladas pela campanha de Flávio nem o teor de eventual ação de anulação. O espaço segue aberto para manifestação das partes envolvidas.
Foto: Reprodução/DW Brasil
Fontes: DW Brasil — https://www.dw.com/pt-br/flávio-chama-resultado-de-sacanagem-e-não-reconhece-derrota/a-79759493?maca=bra-rss-br-top-1029-rdf; Politiza Amazonas — Lula vence Flávio Bolsonaro e conquista quarto mandato em virada inédita; Politiza Amazonas — Zanin prorroga votação do segundo turno até as 19h em todo o país





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