Pnuma: mundo caminha para 2,8 °C de aquecimento neste século

Relatório da ONU aponta que limite de 1,5 °C é inevitavelmente ultrapassado e que promessas climáticas atuais ainda levam a 2,6 °C

Relatório da ONU aponta que limite de 1,5 °C é inevitavelmente ultrapassado e que promessas climáticas atuais ainda levam a 2,6 °C
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O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) divulgou nesta quarta-feira (21) seu Relatório sobre a Lacuna de Emissões, publicação anual que mede a distância entre o que os países prometem e o que efetivamente fazem para conter o aquecimento. A conclusão central é que o planeta já não tem como evitar a passagem de 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais, patamar que o documento classifica como iminente e inevitável.

Sem alteração na trajetória atual das emissões, a média das temperaturas globais subirá 2,8 °C neste século. Se todos os compromissos climáticos assumidos forem cumpridos à risca, a projeção cai para 2,6 °C. Nos dois casos, o resultado é um período de eventos climáticos extremos de grande impacto, segundo o relatório.

O que distingue promessa, cenário e trajetória

O documento trabalha com três referências que não devem ser confundidas: as metas anunciadas pelos governos, o rumo real das emissões e o esforço necessário para devolver o termômetro a 1,5 °C. O Pnuma descreve um caminho em que o aquecimento máximo ficaria entre 1,7 °C e 1,8 °C na metade deste século e depois recuaria até chegar a 1,5 °C em 2100.

Esse caminho depende de cortes profundos: 69% menos emissões até 2040, tendo 2025 como base de comparação. Exige ainda retirar da atmosfera 330 bilhões de toneladas métricas de dióxido de carbono e guardá-las no subsolo. O próprio relatório registra que pesquisas recentes questionam se essa tecnologia é viável, quanto custaria e se o setor conseguiria crescer na velocidade exigida pelas metas.

O Pnuma calcula que manter as emissões nos patamares atuais por mais cinco anos eleva em cerca de 0,1 °C o pico projetado de aquecimento. O adiamento, portanto, não deixa o cenário parado: empurra para cima o teto que depois precisará ser revertido.

Emissões em alta e políticas eficazes

Estimativas preliminares reunidas no relatório mostram aumento de emissões em 2025 na Indonésia, na China e nos Estados Unidos. O avanço americano foi o mais expressivo entre os grandes emissores, segundo o documento, puxado pela volta do carvão e por uma demanda maior de eletricidade, em parte atribuída à multiplicação de centros de dados voltados à inteligência artificial.

Parte desse quadro se deve à saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris, decidida pelo presidente Donald Trump, conforme a DW. Desde o início de seu segundo mandato, a política climática americana foi desmontada, com o fim de normas ambientais e o incentivo à produção de petróleo e gás.

O relatório também compila evidências de que medidas climáticas produzem resultado. A base são mais de 200 estudos sobre instrumentos como tributos sobre carbono, metas governamentais, regras de construção e subsídios a tecnologias de baixo carbono. Experiências-piloto de precificação de carbono na China cortaram emissões em cerca de 11%, e o mercado de comércio de emissões da União Europeia teve redução de 8% frente ao que se projetava sem essas políticas.

Em comunicado, o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que passar do limite não equivale a desistir e que ainda é possível reduzir ao mínimo e encurtar ao máximo esse excedente, retornando a patamares abaixo de 1,5 °C antes do fim do século. A diretora executiva do Pnuma, Inger Andersen, afirmou que é preciso concentrar todos os esforços para baixar o pico de aquecimento e voltar a 1,5 °C até o final do século, acrescentando que isso é possível.

O documento associa a ultrapassagem do limite ao risco de pontos de não retorno, entre eles a perda de recifes de corais, o recuo prolongado de camadas de gelo e a savanização da Floresta Amazônica. Cientistas citados observam que 1,5 °C não funciona como um número mágico e que cada fração adicional de aquecimento amplia os riscos.

Foto: Reprodução/DW Brasil

Fontes: DW Brasil — https://www.dw.com/pt-br/mundo-avança-para-aquecimento-de-2-8-°c-ainda-neste-século-alerta-onu/a-79721816?maca=bra-rss-br-top-1029-rdf

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