Alunos da rede estadual de Manaus enfrentam, desde o início da semana, um obstáculo a mais no trajeto até a escola: sem novas recargas do Passe Livre Estudantil, muitos passaram a desembolsar R$ 5 por trecho, pedir carona ou simplesmente não comparecer às aulas. Os relatos foram feitos nesta quarta-feira (4) à Rede Amazônica.
O bloqueio das recargas foi anunciado na segunda-feira (2) pela plataforma “Cadê Meu Ônibus”, mantida pelo Sinetram. A entidade patronal sustenta que as empresas de ônibus não têm mais como adiantar o custo das passagens enquanto o Governo do Amazonas não repassar os valores que considera devidos. O Estado, por sua vez, diz que a verba de 2026 já foi paga e que a pendência apontada pelo sindicato é de 2025, com disputa em curso na Justiça.
O que mudou na rotina dos alunos
Na Escola Estadual Professora Ruth Prestes, no bairro Cidade Nova, Kerlyn Santos, do 2º ano, contou que precisou chamar um mototaxista para não perder a aula. Segundo ela, a saída tem sido gastar com Uber ou com a tarifa comum do ônibus, já que o cartão estudantil deixou de ser recarregado.
Noely Silva, colega de escola, usava até quatro gratuidades por dia porque, além da escola, frequenta um cursinho preparatório. Ela afirma que ninguém informou quando o benefício volta a funcionar. Outra aluna disse que faltou na terça-feira (3) por não ter o dinheiro da passagem e que precisou juntar R$ 10 para conseguir ir na quarta. Antes, eram seis gratuidades diárias; agora, ela calcula um gasto de aproximadamente R$ 50 por semana.
Uma mãe relatou que descobriu o bloqueio ao tentar recarregar o cartão da filha: o sistema já recusava a renovação e, na terça-feira, o benefício parou de vez. A aluna identificada como Beatriz conseguiu uma carona, mas teve de sair de casa mais cedo, acordando às 5h para chegar à escola às 6h.
Versões do sindicato e do governo
O presidente do Sinetram, César Tadeu Teixeira, declarou na terça-feira (3) que a ausência dos repasses calculados pela tarifa técnica deixa as empresas em situação financeira crítica e coloca em risco a manutenção da gratuidade. Ele mencionou a folha de pagamento do dia 5 e o 13º salário do mês como compromissos sem cobertura. O sindicato também levou o caso à Prefeitura de Manaus, que responde pelo transporte coletivo, pedindo providências.
O governador Roberto Cidade afirmou nas redes sociais, na noite de segunda-feira (2), que os pagamentos de 2026 estão em dia e que mais de R$ 27 milhões foram repassados ao sindicato neste ano, incluindo uma parcela de R$ 3 milhões em 23 de outubro. Segundo ele, a cobrança da entidade envolve valores de 2025 e o governo adotará medidas judiciais contra a conduta do sindicato.
Na audiência de 26 de outubro, o Sinetram informou à Justiça que as empresas não conseguem custear as passagens com recursos próprios. A Procuradoria-Geral do Estado (PGE) afirmou que mantém disputa judicial com o Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) e o Sinetram sobre a cobrança de cerca de R$ 250 milhões referente ao serviço prestado.
O impasse já havia sido tema de matéria do Politiza Amazonas, que mostrou a suspensão das recargas e a troca de acusações entre sindicato e governo. A deputada estadual Mayra Dias também cobrou providências da Seduc e pediu audiência na Aleam sobre o benefício.
O material recebido não informa prazo para restabelecimento das recargas nem se haverá ressarcimento aos estudantes que passaram a pagar as passagens do próprio bolso.
Foto: Lucas Macedo/g1
Fontes: G1 Amazonas — https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2026/11/04/estudantes-relatam-dificuldades-para-chegar-a-escola-apos-suspensao-de-recargas-do-passe-livre-em-manaus.ghtml; Politiza Amazonas — Suspensão do Passe Livre Estudantil: Sinetram cobra repasses e governo nega dívida de 2026; Politiza Amazonas — Mayra Dias cobra Seduc e pede audiência na Aleam sobre Passe Livre suspenso




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