A nutricionista Luciana Santana, do Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV-Ufam), vinculado à HU Brasil, afirma que hábitos como abusar de ultraprocessados e se movimentar pouco pesam no ganho excessivo de peso e elevam o risco de doenças crônicas, entre elas diabetes tipo 2 e hipertensão. A orientação foi divulgada em 16 de outubro.
Conforme a especialista, a obesidade resulta da combinação de fatores genéticos, metabólicos, comportamentais, sociais e ambientais. Em Manaus, ela relata que itens de pacote, de baixo custo e muito calóricos passaram a substituir preparações tradicionais no cotidiano.
Substituições no dia a dia
A indicação é dar preferência a comida fresca ou com mínimo de processamento e cortar os industrializados. A nutricionista sintetiza a ideia na fórmula de descascar mais e desembalar menos. Pela manhã, combinações como tapioca com ovo mexido, macaxeira ou cará cozidos podem render uma refeição equilibrada.
Nos intervalos, frutas da estação, castanha-da-Amazônia e iogurte natural com aveia entram no lugar de biscoitos recheados e salgadinhos. Para beber, a prioridade é a água, com menos refrigerantes, sucos de caixa e outras bebidas açucaradas.
A culinária regional também oferece caminhos nutritivos. Tambaqui e tucunaré fornecem proteínas e, a depender da espécie e do modo de preparo, gorduras benéficas. O tucumã traz carotenoides que o corpo converte em vitamina A, além de gorduras. Já o açaí, de preferência sem muito açúcar ou xarope, contribui com fibras e antioxidantes.
Hábitos desde a infância
Os hábitos alimentares se formam nos primeiros anos. Variedade no prato, menos ultraprocessados e refeições compartilhadas em família ajudam a construir uma relação saudável com a comida, segundo a nutricionista.
Ela chama atenção para práticas como oferecer açúcar cedo, usar doces como prêmio e forçar a criança a limpar o prato. Evitar telas durante as refeições, chamar os filhos para escolher e preparar alimentos e apresentar frutas e receitas locais desde cedo são recomendações da profissional.
O peso corporal também sofre influência de outros elementos, como genética, sono, estresse, atividade física e condições de vida. Noites mal dormidas podem mexer em mecanismos hormonais ligados à fome e à saciedade, e o estresse tende a alterar o comportamento alimentar. Já o exercício regular favorece a manutenção da massa muscular e a resposta do organismo à insulina.
A nutricionista ressalta que buscar acompanhamento profissional não vale apenas para emagrecer. Mudanças em exames de glicose e colesterol, dificuldades com a comida e demandas específicas de crianças, gestantes e idosos também pedem avaliação.
Foto: George Miranda/Reprodução Portal Amazônia
Fontes: Portal Amazônia — https://portalamazonia.com/saude/alimentos-amazonicos-prevencao/



