A prefeita de Maués, Macelly Veras (PDT), declarou em coletiva de imprensa em 19 de outubro, no Liceu de Artes, que denúncias apresentadas à Justiça Eleitoral contra ações assistenciais da Prefeitura estariam atrapalhando o envio de ajuda humanitária às famílias afetadas pela estiagem e pelos incêndios florestais no município. A fala ocorreu na apresentação das iniciativas do Comitê de Estiagem e de Combate aos Incêndios Florestais, formado por órgãos municipais e instituições parceiras.
Conforme a prefeita, as denúncias questionam entregas de auxílio a comunidades atingidas pela seca e pelas queimadas. Macelly não especificou os processos eleitorais citados nem disse se há decisão judicial que impeça a distribuição dos benefícios. O relato publicado trata da avaliação da gestora sobre as dificuldades da administração municipal.
Ocorrências e ações de combate
O 35º Grupamento de Bombeiros Militar informou que Maués teve 167 ocorrências de incêndio de 1º de janeiro a 18 de outubro deste ano. Dessas, 143 se concentraram entre agosto e outubro, quando a estiagem se intensifica. Nos primeiros 18 dias de outubro, foram 51 atendimentos, dos quais 48 envolveram fogo em vegetação.
Na comunidade Vitória da Conquista, cerca de 100 mil metros quadrados de vegetação foram atingidos e 15 focos foram identificados, segundo os dados apresentados. Já na região do rio Limão, as equipes levaram aproximadamente três dias para controlar um incêndio que, de acordo com os relatos da coletiva, teve início depois que o fogo foi usado numa técnica de caça. No Bufura, duas casas foram atingidas pelas chamas.
Para reforçar o combate, a Prefeitura contratou 13 brigadistas para o grupo de combate a incêndios e proteção ambiental. Macelly afirmou que a gestão planeja contratar ao menos outros cinco profissionais nos próximos dias. O município também recebeu seis militares por meio da Operação Amazônia Mais Verde. A prefeita reconheceu que o efetivo ainda é insuficiente diante da extensão territorial de Maués e da dificuldade de chegar a comunidades distantes, muitas acessíveis somente por embarcações.
Orientações e situação de emergência
Macelly pediu aos agricultores que adiem as queimadas e procurem alternativas de preparo da terra que dispensem o fogo. Um decreto municipal em vigor desde 20 de agosto proíbe queimadas nas zonas urbana e rural. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SEDEMA) informou que ampliou a fiscalização na cidade e no campo, com monitoramento nos bairros Parque das Flores, São Domingos e Donga Michiles e nas regiões dos rios Limão, Urupadi e Parauari.
Maués integra a lista de 36 municípios alcançados pelo decreto estadual de emergência pelos efeitos da estiagem e das queimadas. A Prefeitura disponibiliza lanchas, pilotos e combustível para o deslocamento das equipes de emergência até localidades isoladas, além de enviar caixas-d’água, motobombas, mangueiras, alimentos e combustível a comunidades indígenas, inclusive perto da divisa com o Pará.
Na coletiva, a Defesa Civil apresentou as providências tomadas depois do reconhecimento federal da situação de emergência no município. A Prefeitura prepara um plano para pedir recursos para compra de alimentos em cesta, água para consumo, itens de higiene, reservatórios, combustível e materiais de operação. Também solicitou ao Governo do Amazonas máquinas pesadas, equipamentos de proteção individual e respiratória, apoio logístico e verba para ampliar o número de brigadistas.
O trabalho preventivo feito com o Corpo de Bombeiros inclui palestras em escolas, participações em emissoras comunitárias e distribuição de material educativo. A prefeita disse que o enfrentamento da crise depende da participação da população, sobretudo na prevenção de novos focos.
Foto: Reprodução/Fato Amazônico
Fontes: Fato Amazônico — https://fatoamazonico.com.br/ninguem-esta-querendo-comprar-voto-queremos-ajudar-quem-precisa-desabafa-macelly-veras-sobre-denuncias-em-maues/




