Manaus registrou melhora na qualidade do ar nesta quarta-feira (21), depois de dias de fumaça intensa que reduziram a visibilidade e geraram preocupação com a saúde dos moradores. O cenário acompanha a redução de 65,8% no número de focos de incêndio no Amazonas nos últimos dez dias, conforme dados do Painel do Fogo citados pelo Fato Amazônico, e o reforço das operações de combate às queimadas no estado.
Apesar do alívio, o balanço federal indica que o Amazonas ainda tinha 85 eventos de fogo ativos, distribuídos por 30 municípios, dos quais 22 em situação de emergência. A operação federal já despejou 1.118.600 litros de água sobre áreas atingidas, com 390,5 horas de voo e 369 lançamentos desde 10 de outubro, e contribuiu para extinguir 337 ocorrências de incêndio florestal.
O que a queda dos focos permite concluir
A melhora do ar e a diminuição das detecções não equivalem, pelas fontes recebidas, ao fim dos incêndios. O boletim do Ministério Público de Contas do Amazonas (MPC-AM) divulgado na terça-feira (20) registrou nove estações do sistema SELVA, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), com concentrações de partículas finas (PM2,5) entre 37,8 e 45,6 microgramas por metro cúbico. A plataforma IQAir marcou índice 77 às 8h, classificado como moderado.
O próprio MPC-AM fez uma ressalva: a presença de nuvens pode dificultar a identificação de incêndios por satélite. Por isso, menos focos detectados não significam necessariamente que todos os incêndios estejam controlados. O texto de origem também observa que não é possível atribuir a melhora exclusivamente às operações aéreas, pois chuvas e ventos podem influenciar a concentração de fumaça e o comportamento do fogo.
Os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam 548 focos de calor entre 12 e 18 de outubro, redução de 470 registros em relação aos sete dias anteriores. No intervalo, os municípios com mais focos foram Itacoatiara (59), Autazes (46) e Boa Vista do Ramos (39).
Estrutura mobilizada e regras em vigor
A força-tarefa federal mantém 13 aeronaves no Amazonas: seis Air Tractor para lançamento direto de água, cinco helicópteros para transporte de brigadistas e equipamentos e dois KC-390 da Força Aérea Brasileira (FAB), que usam o Sistema Modular Aerotransportável de Combate a Incêndios (MAFFS) e despejam grandes volumes em cerca de sete segundos.
Atuam 462 brigadistas do Ibama e do ICMBio, 54 militares da FAB e 41 integrantes da Força Nacional, além de apoio à contratação de 116 bombeiros do Amazonas. Em terra e nos rios, são 58 veículos e nove embarcações.
Durante agenda em Manaus no domingo (18), o Governo Federal anunciou a instalação de um Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas na capital, para coordenar as operações militares, e a implantação de uma base da Força Nacional do SUS, prevista para terça-feira (20), para atender a população afetada pela fumaça. Também foram anunciados ampliação do apoio financeiro ao governo estadual e às prefeituras e atuação integrada dos órgãos de segurança pública para investigar possíveis crimes ambientais ligados às queimadas.
Mesmo com a melhora dos indicadores, o uso do fogo na vegetação segue proibido no Amazonas durante a vigência do decreto estadual de emergência. A regra geral de restrição está no artigo 38 da Lei nº 12.651/2012, o Código Florestal, que admite exceções previstas na legislação; a Lei nº 14.944/2024 regulamenta a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo.
Como o Politiza Amazonas informou, o balanço do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) já registrava 1,1 milhão de litros lançados, com 369 lançamentos, 390,5 horas de voo e 337 incêndios extintos desde o início da temporada.
Foto: Rogério Cassimiro/MMA
Fontes: Fato Amazônico — https://fatoamazonico.com.br/aeronaves-federais-despejam-mais-de-1-milhao-de-litros-de-agua-contra-incendios-e-manaus-comeca-a-respirar-melhor/; Politiza Amazonas — Operação federal já lançou 1,1 milhão de litros de água contra incêndios no AM




