A fumaça de queimadas florestais voltou a encobrir Manaus e outras cidades do Amazonas nas últimas semanas. Até 13 de outubro, 36 dos 62 municípios amazonenses estavam em situação de emergência por causa dos incêndios — mais da metade do estado.
Com o avanço do fogo e a poluição do ar, as aulas foram interrompidas, atividades ao ar livre deixaram de ser realizadas, alertas sanitários foram enviados aos moradores e as operações de combate ganharam reforço em várias regiões do estado.
Como a fumaça chega à capital
As partículas lançadas pelo fogo são minúsculas e leves: continuam no ar por dias e caminham junto com os ventos, que carregam poluentes de outras áreas do Amazonas e até de estados vizinhos. É o que explica o meteorologista Leonardo Vergasta.
Segundo o meteorologista, nesta época do ano os ventos sopram sobretudo de leste e nordeste, o que favorece o deslocamento da fumaça das áreas com queimadas. A escassez de chuva no período de seca também contribui para que os poluentes se mantenham por mais tempo na atmosfera.
A meteorologista Andrea Ramos afirma que as condições da atmosfera interferem diretamente nesse transporte. Conforme a especialista, as partículas mais finas podem ficar suspensas por horas ou dias e percorrer centenas de quilômetros, a depender da direção e da velocidade do vento, da estabilidade da atmosfera e da presença ou não de chuva.
Andrea relata que casos já observados na capital foram ligados à chegada de fumaça de outras partes da região, como o sul do Amazonas, o norte de Mato Grosso e Rondônia. A procedência muda de um dia para outro: às vezes o que pesa é a contribuição da Região Metropolitana de Manaus; em outras ocasiões, o material vem de pontos mais distantes, incluindo o Pará.
A especialista afirma ainda que a quantidade de focos de queimadas perto da capital, por si só, não basta para explicar por que há tanta poluição sobre a cidade. Para saber de onde a fumaça vem, é preciso cruzar dados de satélite sobre os focos, a trajetória e a direção do vento, imagens da fumaça, índices de chuva e medições da qualidade do ar.
A ausência de chuva na estiagem também dificulta a saída das partículas do ar, o que faz os poluentes se acumularem e prolonga os episódios de fumaça sobre Manaus.
Emergência e resposta
O reconhecimento da situação de emergência nos 36 municípios foi oficializado pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional em 10 de outubro. Com a medida, os órgãos de resposta podem agir de forma conjunta e o estado fica habilitado a receber recursos da União.
O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, declarou que a decisão auxilia tanto no combate aos incêndios quanto no atendimento à população atingida. Segundo ele, é preciso unir governo federal, estado e municípios para apagar o fogo e, ao mesmo tempo, garantir ajuda humanitária e atendimento médico a quem precisa.
Também em 10 de outubro, Manaus recebeu aeronaves de combate ao fogo, entre elas aviões Air Tractor e helicópteros do Ibama, além de 290 brigadistas federais. Em 11 de outubro, a baixa visibilidade atrasou a decolagem da comitiva de ministros que faria um sobrevoo de monitoramento na capital.
Depois de percorrer áreas críticas, como a região de Autazes, o ministro do Meio Ambiente classificou a situação como “mais grave do que eu imaginava”, ao encontrar focos de incêndio dentro de floresta preservada.
No mesmo dia, o governo de São Paulo enviou 30 profissionais, entre bombeiros e agentes da Defesa Civil, com drones e 11 mil litros de produto retardante de chamas.
Em 12 de outubro, a União passou a disparar avisos de emergência pela conta oficial GovBR no WhatsApp. Os textos recomendavam o uso de máscaras, orientavam a fechar portas e janelas para conter a entrada da fumaça e lembravam da importância de beber água.
Nas ações aéreas, a Força Aérea Brasileira usou o cargueiro KC-390 Millennium, que pode despejar até 12 mil litros de água em cada voo. Aeronaves do Ibama também lançaram acima de 10 mil litros de água sobre a Região Metropolitana de Manaus.
Foto: Reprodução/Redes Sociais
Fontes: G1 Amazonas — https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2026/10/14/entenda-como-a-fumaca-de-queimadas-em-outras-cidades-chega-a-manaus-e-encobre-a-capital.ghtml



