O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, declarou na segunda-feira que Washington vinha, havia semanas, pedindo ao governo interino venezuelano que liberasse a volta de María Corina Machado ao país, conforme relato da DW Brasil. A líder opositora, que também é prêmio Nobel da Paz, reapareceu na Venezuela no domingo (25), depois de quase um ano fora, e teve ao seu lado milhares de simpatizantes.
Rubio contou que as autoridades provisórias responderam que ela poderia desembarcar no aeroporto caso desejasse, e que esse recado foi repassado à equipe da opositora. Machado coordena nacionalmente o partido Vente Venezuela (VV) e estava no exterior havia dez meses.
O plano defendido por Washington
Também na segunda-feira, um porta-voz do Departamento de Estado informou que o governo de Donald Trump — a quem Machado entregou sua medalha do Nobel — respalda uma agenda de mudanças na Venezuela. A proposta prevê a recomposição de instâncias como o Tribunal Superior de Justiça (TSJ) e a Comissão Nacional Eleitoral (CNE) ao longo dos próximos meses.
Conforme a DW, esse roteiro levaria a presidente interina, Delcy Rodríguez, a reconhecer a vacância do cargo e a fixar em seis meses o prazo para marcar novas eleições.
Laura Cristina Dib, que dirige o programa para a Venezuela na ONG Escritório em Washington para Assuntos Latino-Americanos (WOLA), avalia que a volta de Machado pressiona Washington, impulsionada pela mobilização nas ruas. Na leitura dela, os venezuelanos mostraram disposição para uma saída eleitoral e pacífica, com uma transição que considerem verdadeira e confiável.
Entre os pontos que essa transição exigiria, segundo Dib, estão a realização de eleições com garantias, a soltura de presos políticos, mudanças legítimas, o fim das proibições de candidatura, um calendário eleitoral definido e a renovação do Conselho Nacional Eleitoral. A especialista não afastou a hipótese de que Washington sofra também pressão do empresariado, que cobraria regras claras e previsibilidade para investir no país.
Limites da transição
Para o cientista político José Vicente Carrasquero, da Universidade Simón Bolívar, a volta de Machado tem potencial para dar velocidade à transição democrática, pois uma liderança com apoio popular recupera meios de mobilizar e organizar. Ele ressalva, no entanto, que isso só se concretiza se ela conseguir converter o entusiasmo do regresso em estrutura duradoura, entendimentos entre as forças democráticas e pautas objetivas.
Carrasquero acrescenta que resta saber qual margem Machado terá de fato na política venezuelana. Segundo ele, o efeito democrático só se firmará se ela conseguir circular pelo país, encontrar seus apoiadores e apresentar propostas com segurança e liberdade. O acadêmico lembra ainda que o chavismo mantém alavancas importantes de poder, com controle sobre instituições e capacidade coercitiva, o que lhe permite acelerar, travar ou restringir mudanças.
O retorno da opositora acontece depois de ela ter saído do país em dezembro de 2025, como o Politiza Amazonas informou quando da chegada dela a Barquisimeto. Na ocasião, sua assessoria informou que ela seguiria de carro até Caracas. A DW não informa se a parte citada nas negociações se manifestou sobre o plano de transição; o espaço segue aberto.
Foto: Reprodução/DW Brasil
Fontes: DW Brasil — https://www.dw.com/pt-br/retorno-de-maría-corina-machado-agita-transição-política-na-venezuela/a-79775856?maca=bra-rss-br-top-1029-rdf; Politiza Amazonas — María Corina Machado retorna à Venezuela após dez meses fora





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