A líder opositora venezuelana María Corina Machado voltou à Venezuela neste domingo (25), depois de ter deixado o país em dezembro de 2025 e de ter vivido quase um ano na clandestinidade. Ela compareceu a uma igreja católica em Barquisimeto, onde foi cumprimentada por pessoas que cantavam o hino nacional e gritavam “liberdade”, segundo uma testemunha citada pela DW. O retorno foi anunciado por ela em uma rede social.
De acordo com sua assessoria de imprensa, Machado seguirá de automóvel até Caracas. A chegada foi confirmada também por Edmundo González Urrutia, candidato que substituiu a opositora nas eleições presidenciais de 28 de julho de 2024, quando ela havia sido desqualificada pelas autoridades e impedida de exercer cargos públicos por 15 anos. González, exilado na Espanha, afirmou que pretende retornar ao país em breve.
Mediação dos EUA e reação da oposição
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, declarou que o retorno de Machado se deve ao trabalho de mediação americano. Antes da manifestação de Rubio, o presidente Donald Trump foi questionado por jornalistas e respondeu que não sabia do assunto. A Casa Branca vem apoiando o novo governo venezuelano, segundo a DW.
A Plataforma Unitária Democrática (PUD), principal coligação opositora, celebrou o retorno e convocou apoiadores a avançar “com determinação” rumo à transição. A sigla classificou o episódio como “um novo impulso à luta pela recuperação da democracia” e defendeu uma transição “pacífica e ordenada” no âmbito de um plano dos Estados Unidos.
Na quinta-feira anterior, centenas de venezuelanos protestaram nas principais cidades do país para exigir o retorno de Machado, a liberdade dos presos políticos e o agendamento de eleições presidenciais.
O que o retorno não significa
O retorno de Machado não equivale, pelas informações disponíveis, à convocação de eleições nem à sua habilitação para disputar cargos: ela continua desqualificada por 15 anos, segundo a DW. A PUD fala em “impulso” à transição, mas a fonte não informa data de pleito nem confirma que a opositora poderá concorrer. A equipe de Machado não revelou detalhes sobre como ela retornou, e autoridades americanas já haviam pedido à opositora que adiasse o regresso, conforme reportagem da Reuters citada pela DW em junho.
Em janeiro de 2026, pouco depois da saída de Machado, os Estados Unidos capturaram o então presidente Nicolás Maduro. Trump tem manifestado apoio à presidente interina Delcy Rodríguez, ex-vice de Maduro, e elogiado acordos sobre produção de petróleo e empreendimentos comerciais de empresas americanas no país. Em setembro, o republicano afirmou que era cedo para considerar eleições democráticas na Venezuela.
Foto: Reprodução/DW Brasil
Fontes: DW Brasil — https://www.dw.com/pt-br/líder-opositora-maria-corina-machado-volta-à-venezuela-após-dez-meses/a-79757674?maca=bra-rss-br-top-1029-rdf





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