Nem o bloco do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu nem o do opositor Gadi Eisenkot alcançaram maioria no Knesset (Parlamento de Israel) na eleição desta terça-feira (27), segundo contagem parcial divulgada nesta quarta-feira pela autoridade eleitoral e reproduzida pela DW Brasil. Com 85% dos votos apurados, o campo de direita de Netanyahu soma 53 das 120 cadeiras, e o bloco oposicionista de Eisenkot, 48. São necessárias 61 cadeiras para formar maioria.
Os partidos árabes israelenses chegaram a 19 cadeiras, um avanço em relação a pleitos anteriores, e podem se tornar decisivos na negociação. Esta foi a primeira eleição desde o ataque de 7 de outubro de 2023, que levou Israel a iniciar uma guerra na Faixa de Gaza.
O que acontece agora
O resultado ainda não é definitivo. A autoridade eleitoral continua a contabilizar votos e deve levar até quinta-feira para conhecer os números finais, incluindo centenas de milhares de votos de soldados e diplomatas que votaram fora do país. A apuração completa deve sair em 30 de outubro, com publicação oficial uma semana depois da votação, em 4 de novembro.
Depois da contagem, o presidente Isaac Herzog, que costuma ter papel cerimonial, decide quem terá a primeira chance de formar governo. Ele tem uma semana para consultar os partidos, que indicam um candidato a primeiro-ministro, e encarrega quem considerar ter mais chances de sucesso. A partir daí, corre prazo de 28 dias, prorrogável por mais 14. A incumbência não precisa ir ao líder do partido mais votado: em 2009, o então presidente Shimon Peres designou Netanyahu embora o Likud tivesse 27 cadeiras, contra 28 do Kadima.
Se o primeiro nome não conseguir montar a coalizão, Herzog pode chamar outro, que terá 28 dias sem prorrogação. Se esse também não lograr êxito, os deputados dispõem de 21 dias para que ao menos 61 deles indiquem um nome, ao qual caberão mais 14 dias. Sem acordo, o Knesset é dissolvido e novas eleições são convocadas.
Um impasse poderia manter Netanyahu como primeiro-ministro interino até que o Parlamento dê voto de confiança a um novo governo, situação limitada por jurisprudência da Suprema Corte e orientações da Procuradoria-Geral. Se novas eleições forem necessárias, Israel pode ficar até meados do primeiro semestre de 2027 com governo interino.
O peso dos partidos árabes
Os partidos árabes representam cerca de 20% da população e demonstraram indignação com a visão ultranacionalista judaica do governo Netanyahu. O líder da coligação árabe de esquerda Joint List, Yousef Jabareen, afirmou que o eleitorado escolheu entre a manutenção da discriminação e da supremacia ou uma parceria efetiva entre judeus e árabes, e disse que quem quiser apresentar alternativa ao governo de Netanyahu terá de dialogar com eles.
Eisenkot resiste a se aliar aos partidos árabes, mas Yair Golan, líder do principal partido de esquerda e integrante do campo de Eisenkot, tornou-se o primeiro membro da oposição a defender a aliança. O campo de Eisenkot, porém, inclui políticos de direita que rejeitam trabalhar com parlamentares árabes.
O cientista político Gideon Rahat, da Universidade Hebraica de Jerusalém, avaliou que talvez todos tenham perdido, exceto os partidos árabes, mas que ainda não está claro se eles conseguirão transformar o sucesso em influência política. Parlamentares árabes poderiam sustentar um governo minoritário de Eisenkot sem entrar formalmente na coalizão, arranjo que poucos analistas consideram duradouro.
Como o Politiza Amazonas informou na véspera do pleito, Israel votou pela primeira vez desde 7 de outubro de 2023 com empate nas pesquisas e 61 cadeiras necessárias para a maioria. A eleição também é vista por observadores como um referendo sobre Netanyahu, que governou o país por mais tempo e enfrenta acusações criminais por corrupção, que nega.
Foto: Reprodução/DW Brasil
Fontes: DW Brasil — https://www.dw.com/pt-br/quem-venceu-a-eleição-em-israel-e-o-que-acontece-agora/a-79789417?maca=bra-rss-br-top-1029-rdf; Politiza Amazonas — Israel vota nesta terça em eleição com Netanyahu em jogo e empate nas pesquisas





Deixe um comentário