Custo de vida e crise habitacional alimentam onda de protestos na Europa

Manifestações em França, Itália, Espanha e Portugal crescem às vésperas de eleições e fortalecem partidos radicais, segundo análise da DW.

Manifestações em França, Itália, Espanha e Portugal crescem às vésperas de eleições e fortalecem partidos radicais, segundo análise da DW.
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Uma sequência de manifestações tem ganhado força em países europeus, impulsionada por queixas sobre o preço da energia e dos combustíveis, a qualidade do ensino, a piora dos serviços públicos e a dificuldade de acesso à moradia. A análise é da DW Brasil, em reportagem publicada em 20 de outubro, que cita atos na França, Itália, Portugal, Bélgica, Espanha e Albânia.

Na França, a combinação de crescimento econômico fraco, inflação elevada e endividamento alto levou o governo a cortar gastos. No sábado anterior à publicação, cerca de 500 mil pessoas foram às ruas em diversas cidades contra o encarecimento da vida, conforme a DW. A mobilização coroou um mês de atos que começaram com estudantes do ensino médio pedindo melhorias nas escolas.

Da pauta estudantil à violência

Em várias cidades, parte dos protestos terminou em confronto. Grupos mascarados atacaram agentes de segurança, ocuparam e incendiaram prédios públicos, depredaram comércio e queimaram veículos, bicicletas e patinetes, segundo a DW. Na França, o movimento que nasceu da deterioração de escolas nos subúrbios ao norte de Paris evoluiu para uma das piores ondas de distúrbios do país em décadas.

Na Bélgica, na Itália e em Portugal, os atos foram menores. Na Albânia, a indignação com a percepção de corrupção no governo, o desemprego e a baixa qualidade do ensino motivaram grandes manifestações. Já na Espanha e em Portugal, a pauta central é a crise de moradia.

Leitura eleitoral

O cientista político Gilles Ivaldi, da Sciences Po, afirma à DW que a preocupação com o poder de compra virou um dos principais motores da política populista no continente. O analista Sebastien Maillard, da Chatham House, avalia que a França inspira movimentos no norte da Itália, em Bruxelas e em Portugal, e que os protestos podem alcançar outras regiões.

O texto associa a onda de protestos à proximidade de disputas eleitorais decisivas. Na Itália, Giorgia Meloni disputa a eleição nacional prevista para o fim de 2027 e enfrenta a concorrência do partido de ultradireita Futuro Nacional, do ex-general Roberto Vannacci. Na França, o pleito presidencial de abril e maio definirá o sucessor de Emmanuel Macron após dez anos de governo centrista, e a ultradireitista Marine Le Pen aparece à frente nas pesquisas, segundo a DW.

A reportagem registra que políticos radicais de direita e de esquerda defendem retomar laços energéticos com a Rússia como caminho para baixar o custo de vida, questionando o consenso europeu de apoio à Ucrânia. Na Alemanha, a AfD sustenta que o apoio à Ucrânia prejudica a economia alemã. O professor Jan Steckel, da Universidade Técnica de Munique, afirma à DW que partidos populistas costumam tratar os custos de energia como evitáveis e atribuí-los a decisões de governos, em vez de a choques geopolíticos.

A socióloga María Silvestre, da Universidade de Deusto, na Espanha, diz que muitos protestos refletem frustração e ansiedade de jovens europeus diante do futuro. A DW ouviu o manifestante Quentin Leviloux, de 21 anos, em Nantes, que descreveu o custo de vida atual como assustador.

Foto: Reprodução/DW Brasil

Fontes: DW Brasil — https://www.dw.com/pt-br/por-que-os-protestos-estão-se-espalhando-pela-europa/a-79715919?maca=bra-rss-br-top-1029-rdf

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