O governador do Amazonas, Roberto Cidade (União Brasil), anunciou neste sábado (17) uma ofensiva contra incêndios florestais e afirmou que quem provocar queimadas criminosas responderá com rigor. A declaração ocorreu após Manaus registrar 657 pontos no índice de qualidade do ar AQI+, segundo a plataforma internacional IQAir, situação classificada como perigosa.
Na capital, a medição das 8h40 apontou 404,3 microgramas de PM2,5 por metro cúbico — 80,9 vezes o parâmetro anual da Organização Mundial da Saúde (OMS), fixado em 5 microgramas por metro cúbico. Às 6h, o índice já marcava 441 pontos, com 295,9 microgramas de PM2,5. A Defesa Civil do Amazonas emitiu alerta de risco severo.
Medidas anunciadas
Em caráter de urgência, o governador convocou o Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais (Copec), responsável por coordenar combate aos incêndios, fiscalização e proteção à população. Cidade citou o programa Amazonas Mais Verde, investimentos em equipamentos, viaturas e tecnologia, reforço do Corpo de Bombeiros e ampliação de bases permanentes no interior.
O comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), coronel Orleilso Muniz, encaminhou o Ofício nº 3581/2026 ao governo federal solicitando quatro aeronaves de grande capacidade para operações entre 25 de outubro e 25 de dezembro, além de aeronaves para transporte de tropas e reconhecimento. Segundo Muniz, os equipamentos em uso hoje têm restrições por causa das longas distâncias e do acesso difícil a algumas regiões.
Cerca de mil bombeiros militares e brigadistas atuam nas frentes de combate, conforme balanço do CBMAM referente ao período de 1º de junho a 16 de outubro. A Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM) ampliou, na sexta-feira (16), o monitoramento com drones e aeronaves do Departamento Integrado de Operações Aéreas (DIOA) para identificar movimentações suspeitas.
Fiscalização e investigações
A Delegacia Especializada em Meio Ambiente e Urbanismo (Dema) contabilizou, de janeiro a outubro de 2026, 567 procedimentos e checagens sobre possíveis delitos ambientais. Desse total, 90 tratam de fogo em florestas ou outras formas de vegetação, 66 de incêndios em geral, 151 de desmatamento e 14 de poluição do ar. A delegacia deverá pedir ao Ipaam dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR) para ajudar a localizar donos de imóveis nas áreas atingidas.
O material recebido ressalva que identificar o proprietário, por si só, não comprova autoria nem responsabilidade criminal pelo incêndio.
A Operação Tamoiotatá, iniciada em fevereiro e presente em 13 municípios, resultou em R$ 235,9 milhões em multas, 504 autos de infração, 296 termos de embargo, mais de 34,8 mil hectares embargados e duas prisões, segundo o balanço estadual. A Operação Amazonas Mais Verde, iniciada em maio, contempla 33 municípios e foi reforçada com 20 viaturas e 453 equipamentos multimissão. O estado também contratou 153 brigadistas florestais pelo Programa Floresta em Pé.
A fumaça sobre Manaus já havia afetado a agenda de autoridades: como o Politiza Amazonas informou, o sobrevoo de comitiva federal com ministros foi adiado em 11 de outubro por falta de teto.
O material recebido não informa se o governo federal respondeu ao pedido de aeronaves nem detalha prazos para a conclusão das investigações sobre os responsáveis pelos incêndios.
Foto: Reprodução/Fato Amazônico
Fontes: Fato Amazônico — https://fatoamazonico.com.br/nao-vamos-recuar-diz-roberto-cidade-ao-anunciar-ofensiva-contra-incendios-criminosos-no-amazonas/; Politiza Amazonas — Fumaça em Manaus impede sobrevoo de comitiva federal com ministros



