A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno presidencial, por uma diferença de 4,4 milhões de votos, interrompeu uma sequência de triunfos eleitorais de candidatos de direita alinhados ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na América Latina, segundo a DW Brasil. O resultado brasileiro, divulgado após a votação de domingo, 25 de outubro, contraria a trajetória registrada na região desde o retorno de Trump à Casa Branca, em janeiro de 2025.
Conforme a DW, o Brasil era apontado pela imprensa americana como o principal alvo da estratégia da Casa Branca na região, por ser a maior economia e o país mais populoso da América Latina. Uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro daria a Washington mais um parceiro ideológico em Brasília, após uma série de apoios bem-sucedidos em outros países.
O avanço da direita na região
Quando Trump reassumiu a Presidência dos EUA, em janeiro de 2025, seus aliados regionais eram poucos, entre eles Javier Milei na Argentina, Nayib Bukele em El Salvador e Daniel Noboa no Equador. Desde então, segundo a DW, candidatos de direita alinhados a Trump venceram eleições presidenciais no Equador, na Bolívia, em Honduras, no Chile, na Costa Rica, no Peru e na Colômbia.
Só em 2026, três candidatos favorecidos por Washington venceram: Laura Fernández, na Costa Rica; Keiko Fujimori, no Peru; e Abelardo de la Espriella, na Colômbia. Na campanha colombiana, Trump afirmou que Espriella contava com o apoio total dos EUA. Horas após a posse do novo presidente colombiano, os Estados Unidos prometeram 1 bilhão de dólares ao governo que sucedeu o de Gustavo Petro.
Os novos governos de direita também aderiram ao chamado Escudo das Américas, grupo de 19 membros lançado pelos EUA com países ideologicamente alinhados para coordenar ações de segurança no Hemisfério Ocidental. Flávio Bolsonaro declarou durante a campanha que pretendia colocar o Brasil no grupo. Em encontro do bloco em setembro, nos EUA, Trump afirmou que todos os candidatos que apoiou na América Latina haviam sido eleitos.
O que muda com o resultado brasileiro
A vitória de Lula mantém a esquerda no comando da maior economia da região, ao lado do México, onde governa Claudia Sheinbaum. Segundo a DW, os dois países, junto com Uruguai e Guatemala, formam o contraponto aos governos alinhados a Trump. Guiana e Guatemala, mesmo sem alinhamento ideológico com Washington, aderiram ao Escudo das Américas; Brasil, México e Uruguai não aderiram.
Durante a campanha, Lula criticou investidas dos Estados Unidos na região, como os tarifaços impostos ao Brasil, as sanções a ministros do Supremo Tribunal Federal e a membros de seu governo, além da intervenção de Washington na Venezuela e do cerco a Cuba. Após o anúncio do resultado, declarou que o país não cabe no quintal de ninguém. Em discurso na ONU em setembro, já havia criticado a ingerência externa em processos eleitorais.
A DW informa que Trump não endossou nominalmente candidato no pleito brasileiro, mas a Casa Branca sinalizou preferência por Flávio Bolsonaro, que se encontrou com Trump em maio. Segundo veículos da imprensa americana, o apoio não foi mais explícito porque o governo temeu beneficiar Lula.
Até a noite desta segunda-feira, o governo americano não havia parabenizado Lula pelo resultado. Questionado, Trump disse achar que a eleição brasileira parece fraudada, sem apresentar provas, e citou a prorrogação por duas horas do período de votação determinada pelo STF. Ainda assim, afirmou se dar bem com Lula.
Nem todos os presidentes latino-americanos de direita seguiram a contrariedade dos EUA. O colombiano Abelardo de la Espriella, que havia endossado a candidatura de Flávio Bolsonaro, parabenizou Lula, segundo a DW.
Foto: Reprodução/DW Brasil
Fontes: DW Brasil — https://www.dw.com/pt-br/vitória-de-lula-interrompe-onda-pró-trump-na-américa-latina/a-79771713?maca=bra-rss-br-top-1029-rdf





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