O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu 10,3 milhões de votos a mais no segundo turno em relação ao primeiro, segundo a DW Brasil. No primeiro turno, o petista teve 53,8 milhões de votos, cerca de 2,2 milhões a menos que Flávio Bolsonaro (PL); no segundo, chegou a 64,2 milhões, 4,4 milhões a mais que o adversário, a maior votação já obtida por um candidato à Presidência.
A eleição ocorreu no domingo, 28 de outubro. Conforme a DW Brasil, mais eleitores compareceram às urnas após a abstenção recorde do primeiro turno, os votos brancos e nulos caíram e o eleitorado de Lula cresceu em todos os estados.
O que os especialistas apontam
Para o cientista político Leonardo Martins Barbosa, do Cebrap, o cenário inicial era adverso e a margem de manobra para a virada era estreita. A cientista política Luciana Fernandes Veiga, da Unirio e da FGV, destaca a redução da abstenção como sinal de mobilização, citando a presença de eleitores com mais de 70 anos. Mayra Goulart, da UFRJ, avalia que o principal gatilho foi a possibilidade de derrota após o primeiro turno.
Segundo a DW Brasil, grupos de esquerda organizaram atos e uma campanha para “virar votos”, voltada sobretudo aos 33,4 milhões de eleitores que se abstiveram no primeiro turno, equivalentes a 21,08% do eleitorado. Veiga afirma que a esquerda passou a fazer militância digital mais intensa, enquanto Kleber Carrilho, da Universidade de Helsinque, diz que o PT usou a estratégia do medo, semelhante à adotada por aliados de Bolsonaro.
Os especialistas também citam medidas do governo federal nas semanas anteriores ao segundo turno, como a antecipação do calendário do Bolsa Família com reajustes e um pacote de perdão de dívidas tributárias de microempreendedores individuais. Barbosa, porém, considera que esses mecanismos não foram decisivos, lembrando que Jair Bolsonaro perdeu a eleição de 2022 usando recursos parecidos.
Limites dos dados e erros do adversário
A DW Brasil ressalta que ainda não há levantamentos detalhados sobre o perfil dos eleitores responsáveis pela virada. Goulart afirma que, com os dados disponíveis até a publicação, não há base estatística para dizer que jovens e idosos decidiram o segundo turno, porque o TSE ainda não divulgou os dados oficiais de comparecimento por perfil do eleitorado. Segundo ela, a decomposição dos totais indica que a maior parte da virada veio da redistribuição de votos.
Entre os fatores atribuídos à campanha de Flávio, os especialistas mencionam uma postura que pode ter sido vista como arrogante após a liderança no primeiro turno, a conduta nos debates — incluindo a insistência em ficar atrás de Lula no primeiro embate, exibido pela Band — e um vídeo do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) em que eleitores do Nordeste reclamam de Lula. Para Carrilho, esses deslizes podem ter influenciado eleitores ainda indecisos, embora dificilmente mudem a opinião de quem se identifica como bolsonarista.
Foto: Reprodução/DW Brasil
Fontes: DW Brasil — https://www.dw.com/pt-br/o-que-explica-a-virada-histórica-de-lula-no-segundo-turno/a-79788987?maca=bra-rss-br-top-1029-rdf





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