A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) conseguiu no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) o registro de um programa de computador que auxilia na busca e na escolha de compostos com potencial para virar remédios contra a leishmaniose. Batizado de GAIA, o software integra a tese de doutorado de Douglas Emanuel Mota de Souza, orientada pela docente Fernanda Guilhon-Simplicio, com participação do graduando Micael Davi Lima de Oliveira.
Conforme a Ufam, o registro assegura a proteção da propriedade intelectual da ferramenta, escrita em linguagem Python. Fernanda Guilhon-Simplicio, que também dirige o Departamento de Gestão da Inovação da Pró-reitoria de Inovação Tecnológica (DGI/Protec/Ufam), avalia que o reconhecimento dá base para dar sequência à pesquisa e a eventuais parcerias científicas e tecnológicas.
O que a plataforma faz
O doutorando Douglas Emanuel Mota de Souza relata que o sistema aceita moléculas em formato universal e roda, de maneira automatizada, verificações da estrutura, cálculos de propriedades físico-químicas, previsão de ADMET, ancoragem e dinâmica molecular para examinar a interação do composto com alvos biológicos. Com isso, a intenção é diminuir a quantidade de moléculas a serem produzidas e ensaiadas em laboratório, concentrando o trabalho nos candidatos com maior chance de avançar.
A orientadora conta que a plataforma surgiu da necessidade de juntar ferramentas do planejamento de fármacos que operavam separadamente, cada uma com algoritmos próprios e nem sempre compatíveis entre si. O programa reúne essas etapas e aprimora o fluxo de trabalho do grupo, segundo ela. O ponto de partida é a leishmaniose, doença infecciosa provocada por parasitos do gênero Leishmania e tida como negligenciada, que ainda carece de novas opções de tratamento.
Limites e próximos passos
O material informa que o registro no INPI comprova autoria e titularidade e dá mais segurança para negociações, parcerias e processos de transferência tecnológica. A fonte não detalha prazos, licenciamento, valores de investimento nem resultados de testes laboratoriais ou clínicos obtidos com a ferramenta. Também não informa se há previsão de disponibilização do software a outros grupos de pesquisa.
Segundo a professora Fernanda Guilhon-Simplicio, o registro é o primeiro de programa de computador da Faculdade de Ciências Farmacêuticas e de seus programas de pós-graduação, e o processo teve orientação de servidoras do DGI/Protec. O estudante Micael Oliveira afirma que a participação no projeto mostrou ser possível fazer ciência de ponta na Amazônia com ferramentas modernas.
Foto: Reprodução/Fato Amazônico
Fontes: Fato Amazônico — https://fatoamazonico.com.br/ufam-registra-plataforma-com-inteligencia-artificial-para-apoiar-descoberta-de-novos-farmacos-contra-a-leishmaniose/




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