O Aeroporto de Manaus, administrado pela Concessionária dos Aeroportos da Amazônia, que integra a rede VINCI Airports, passou a exibir aos passageiros a pintura “Transamazônica-Manaus”, do artista manauara Turenko Beça. Segundo a divulgação do projeto, feita em 10 de outubro, a tela tem 3,38 metros de altura por 12,75 metros de comprimento.
A obra foi produzida em Manaus em 2026, em técnica mista sobre tela, e ocupa uma área de circulação do terminal. Conforme o próprio artista, nenhuma outra peça que fez ao longo de 35 anos de carreira tem esse tamanho.
Obra e projeto
A parceria prevê a instalação de mais duas obras no aeroporto da capital. Depois que as peças estiverem colocadas, um evento vai apresentar o conjunto ao público. Ainda segundo os responsáveis pelo projeto, a iniciativa amplia a presença da arte local no terminal e aproxima do trabalho artístico um público que não costuma ir a museus e galerias.
O CEO da VINCI Airports para os Aeroportos da Amazônia, Kleyton Mendes, afirma que o terminal liga Manaus a outras cidades e mostra a capital a quem desembarca. De acordo com ele, dar destaque à produção artística da região amplia a visibilidade dos artistas daqui e mantém a identidade amazônica presente nessa vivência, para que o viajante encontre ali referências capazes de aproximá-lo da cultura da região.
Referências da obra
A pintura dialoga com conceitos que o artista pesquisa no doutorado, entre eles Nachleben, Pathosformel, inversão energética, Non Sequitur, anacronismo, ucronia heterotópica e construtivismo na América Latina. Essas ideias se articulam a discussões sobre a sobrevivência da forma, a partir de autores como Aby Warburg, Carlo Ginzburg e Didi Huberman, atravessando as Amazônias e a cidade de Manaus.
A cena principal traz um indígena de pele azul com um cocar de grandes proporções. Em volta, aparecem máscaras e urnas funerárias, com vultos humanos que ascendem; o muiraquitã, olhos de guaraná, peixes, sementes, animais e a cúpula do Teatro Amazonas também integram a composição. Na tela, a cúpula do teatro levanta voo e um alienígena recebe as pessoas, entre símbolos míticos.
De acordo com o artista, o título provoca a ideia da Transamazônica como rota que ligaria a região ao resto do Brasil, mas propõe o percurso inverso, com a Amazônia como ponto de partida. A poética dele parte do olhar de quem é enraizado e afetado por questões políticas, econômicas e sociais da região.
Filho e neto de imigrantes, Turenko Beça define sua perspectiva como a de um “caboclo outsider”: diz não integrar um povo originário, sem enxergar a região como alguém de fora. Ele descreve o próprio trabalho a partir de noções como colagem, montagem, fragmentação e acumulação de imagens, em uma estética do excesso em lugar da síntese, e afirma investigar sua identidade como amazônida, com referências ancestrais, passadas, futuras e urbanas.
Foto: Divulgação
Fontes: Portal Amazônia — https://portalamazonia.com/cultura/turenko-arte-aeroporto-manaus/




