Síria restringe cursos de defesa e segurança a homens; regras atingem universidades novas

Ministério da Educação sírio limitou cursos de duas universidades recém-criadas a homens; exigência de serviço militar está no centro da medida.

Ministério da Educação sírio limitou cursos de duas universidades recém-criadas a homens; exigência de serviço militar está no centro da medida.
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Duas instituições de ensino superior criadas recentemente na Síria passaram a reservar a homens parte de seus cursos. A decisão foi anunciada no início de outubro pelo Ministério da Educação sírio e envolve a Universidade Nacional de Ciências da Defesa e a Universidade Síria de Ciências da Segurança, conforme a DW Brasil.

Na primeira, certas áreas ficaram abertas apenas ao público masculino; na segunda, a maior parte dos cursos foi destinada a homens. A controvérsia sobre a medida se espalhou dentro e fora do país e reacendeu a discussão sobre igualdade de gênero e direitos das mulheres.

O que as regras exigem dos estudantes

O exame das novas normas de admissão aponta que o foco pode estar menos na exclusão feminina de campos acadêmicos e mais no afastamento das mulheres das Forças Armadas. Quem entra na Universidade Nacional de Ciências da Defesa precisa servir no Exército sírio. Os formados pela Universidade Síria de Ciências da Segurança, por sua vez, assumem o compromisso de atuar por até duas décadas nas forças de segurança.

Essa distinção é central para entender o alcance da decisão: a restrição não atinge todas as carreiras de defesa e segurança oferecidas no país, mas as duas novas instituições cujos vínculos com as forças armadas e de segurança são explícitos. As mulheres seguem podendo estudar as mesmas áreas em instituições de perfil generalista.

Segundo as autoridades, parte das normas que separam estudantes por gênero nessas novas instituições de segurança veio das faculdades do período de Bashar al-Assad que deram origem às universidades neste ano.

Críticas e outras restrições

A Human Rights Watch divulgou nota poucos dias depois do anúncio. Para a entidade, as normas discriminatórias desrespeitam obrigações jurídicas internacionais assumidas pela Síria e integram uma sequência preocupante de medidas das autoridades de transição, que reduzem a presença feminina no Estado e fortalecem estereótipos de gênero.

Outras regras também chamaram atenção. Houve limitações a mulheres em um instituto ferroviário de Aleppo, em centros de treinamento da indústria de petróleo e gás em Rmeilan, Homs, Deir ez-Zor e Baniyas, e em um curso de rádio e televisão em Idlib. Do outro lado, os homens ficaram de fora de formações em educação infantil, enfermagem e obstetrícia, reservadas a mulheres.

As medidas se somam a outras mudanças no setor educacional. O Ministério da Educação já havia anunciado a retirada de imagens e símbolos ligados ao regime de Bashar al-Assad. Jornalistas identificaram outras alterações, como figuras de mulheres com os cabelos descobertos removidas ou modificadas para que aparecessem com véus.

Para a estudante de engenharia mecatrônica Lin Najab, 23 anos, as novas regras comprometeram o plano de fazer mestrado. Ela afirma que talvez precise se mudar para outra província para estudar e que, em uma sociedade conservadora, mulheres vivendo sozinhas ainda enfrentam forte desaprovação social.

Foto: Reprodução/DW Brasil

Fontes: DW Brasil — https://www.dw.com/pt-br/síria-bane-mulheres-em-faculdades-com-cursos-voltados-à-defesa-e-segurança-do-país/a-79848120?maca=bra-rss-br-top-1029-rdf

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