O Borussia Dortmund passou a recompensar torcedores que evitam usar o celular durante as partidas no Westfalenstadion, estádio com capacidade para 82 mil pessoas no oeste da Alemanha. A medida foi colocada em prática em outubro, em um jogo da Bundesliga contra o Eintracht Frankfurt.
Pelo aplicativo do clube, o torcedor ativa o chamado “modo torcedor”. Quem mantém o aparelho inativo acumula pontos e concorre a prêmios como camisas autografadas e vales-compras na loja oficial. O uso é voluntário, e o sistema mede a frequência com que o celular é desbloqueado durante o jogo, sem contar o intervalo.
Como funciona a pontuação
Cada torcedor começa com uma quantidade fixa de pontos, que diminui conforme o aparelho é ativado ao longo da partida. A iniciativa foi lançada depois de uma pesquisa com 1.000 frequentadores do Westfalenstadion apontar incômodo crescente com selfies, transmissões ao vivo e uso de redes sociais nas arquibancadas.
O clube não é o único a adotar restrições. Na segunda divisão alemã, Hertha Berlim e Dynamo Dresden implementaram medidas nesta temporada. O foco principal é impedir que influenciadores filmem e monetizem conteúdo dentro do estádio, mas os clubes também declaram objetivo de preservar a experiência dos torcedores.
O Hertha afirma que a iniciativa trata da “questão fundamental de como lidamos com produções de vídeo externas em nosso estádio”. O Dynamo diz que a política foi parcialmente motivada pela proteção dos direitos das emissoras e que a atmosfera e o apoio à equipe devem estar em primeiro plano. Segundo o clube, o projeto recebeu “um feedback positivo significativo dos torcedores”.
Diferença em relação a outros países
As regras do futebol alemão restringem o investimento externo ao exigir que os clubes sejam de propriedade dos sócios. Esse modelo mantém a experiência de torcer no estádio relativamente protegida de grandes investidores e da pressão comercial, em contraste com outros países europeus.
A diferença aparece também nos preços. A temporada do Bayern de Munique custa a partir de 180 euros (cerca de R$ 1.100) para 17 jogos em casa da Bundesliga. Já o ingresso mais barato para a temporada do Arsenal, atual campeão inglês, sai por 978 libras (cerca de R$ 7.180) para 19 jogos.
O presidente do Dortmund, Carsten Cramer, afirmou que a iniciativa busca preservar “o que torna o clube especial”. Segundo ele, a proposta é dizer aos torcedores que o estádio não é um show para gritar e transmitir vídeo por vídeo. Cramer pediu que o público assista, aproveite e viva o momento, e defendeu que o cenário emocionante e autêntico de uma partida precisa ser protegido.
O Westfalenstadion é conhecido pela “muralha amarela”, a maior arquibancada da Europa destinada a torcedores em pé, com capacidade para 25 mil pessoas. Para Cramer, a emoção proporcionada por esse setor exige atenção, e quem passa o jogo enviando mensagens ou transmitindo ao vivo perde essa atenção.
O dirigente disse que a medida teve “um feedback muito, muito positivo” e avalia que ela pode se espalhar, embora o Bayern de Munique tenha se mostrado pouco entusiasmado. Rouven Kasper, membro da diretoria do Bayern, brincou que o futebol no clube é tão emocionante que não é preciso proibir celulares. Cramer respondeu que o feedback mais importante veio em campo, com o Dortmund vencendo três de três partidas desde a implementação da medida.
Foto: Reprodução/DW Brasil
Fontes: DW Brasil — https://www.dw.com/pt-br/vivam-o-momento-os-times-alemães-que-restrigem-celulares-nos-estádios/a-79879125?maca=bra-rss-br-top-1029-rdf





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