A missão humanitária que retirou cerca de 800 pessoas em situação de vulnerabilidade da cidade de Oleshky, no sul da Ucrânia, sob ocupação russa, foi concluída e divulgada pela primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump. Segundo a DW, a operação teve mediação dela para viabilizar um cessar-fogo temporário e foi coordenada pelo comissário ucraniano para os direitos humanos, Dmytro Lubinets, e pela homóloga russa, Yana Lantratova.
Ao deixar a cidade, a maioria dos retirados optou por seguir para o território controlado por Kiev, enquanto outros escolheram a Rússia. A administração regional de Kherson informou que mais de mil habitantes permanecem em Oleshky e receberam alimentos, água e medicamentos.
O que a pausa permitiu e o que ficou depois
Um dia após o fim do cessar-fogo, o Estado-Maior ucraniano afirmou que os russos aproveitaram a pausa humanitária para fortificar posições, realizar rotação de tropas, ampliar dispositivos de proteção contra drones e abastecer soldados com munição. A emissora britânica Sky News exibiu imagens captadas por drones, obtidas com apoio das forças ucranianas, que mostram o Exército russo transportando equipamentos pesados, armas, pessoal e suprimentos para Oleshky e vilarejos vizinhos.
O deputado Volodimir Viatrovych, do partido de oposição Solidariedade Europeia, escreveu no Facebook que o governo ucraniano e os mediadores internacionais sabiam que a Rússia poderia tirar proveito da pausa dessa forma, mas que foi a decisão correta permitir a saída das pessoas. Segundo ele, Moscou agiria da mesma maneira caso Kiev retirasse suas tropas da região de Donetsk, conforme exigência do líder russo Vladimir Putin.
O Kremlin, por sua vez, tratou de conter as expectativas e declarou que, no momento, não há planos para novas missões. Melania Trump classificou a operação como bem-sucedida e agradeceu, por meio das redes sociais, a Kiev e Moscou pela liderança e cooperação, avaliando que os acordos referentes a Oleshky poderiam constituir a base para uma paz duradoura entre os dois povos.
O que está previsto para as negociações
Lubinets escreveu no Telegram que é importante manter o mecanismo de cooperação e que analisa com Yana Lantratova possibilidades de continuidade de ações humanitárias semelhantes. A DW informa que avançam os preparativos para uma nova rodada de negociações entre Ucrânia, Estados Unidos e Rússia em Abu Dhabi, prevista para os dias 10 e 11 de novembro.
Para o analista Dmytro Levus, do centro Ucrânia Unida, a missão em Oleshky poderia conferir conteúdo à vertente humanitária dessas conversas, embora ele veja pouca chance de avanços políticos significativos. Já Ihor Chalenko, do Centro de Análise e Estratégias da Ucrânia, avalia que não se deve abrir mão de medidas humanitárias no futuro e que Kiev deveria exigir, em cessar-fogos seguintes, proibições específicas ao uso militar da pausa.
Samuel Greene, do King’s College London, também se mostra cético e afirmou à DW que o Kremlin ainda não chegou ao momento de concluir que não há mais nada a ganhar no campo de batalha. Segundo ele, por ora Moscou tenta ganhar tempo, simulando disposição para o diálogo perante os americanos.
Foto: Reprodução/DW Brasil
Fontes: DW Brasil — https://www.dw.com/pt-br/êxito-de-missão-para-retirar-de-civis-em-oleshky-pode-ser-um-primeiro-passo-rumo-à-paz-na-ucrânia/a-79867002?maca=bra-rss-br-top-1029-rdf





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