O governo da Coreia do Sul acompanha com preocupação sinais de reaproximação entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte, em um momento de escalada militar na península. Segundo a DW Brasil, políticos sul-coreanos temem que Washington busque um acordo diplomático com Pyongyang às custas da segurança sul-coreana ou deixe o país exposto ao arsenal nuclear norte-coreano.
Nas últimas semanas, Seul acusou a Coreia do Norte de colocar um explosivo enterrado na porção sul da fronteira militarizada; a detonação feriu três soldados sul-coreanos. Pyongyang não se desculpou e sustentou que o episódio foi uma ação de bandeira falsa para prejudicar a imagem do regime. Desde então, o país de Kim Jong-un fez testes de armamentos, promoveu sua primeira exposição de drones militares, levou unidades de artilharia autopropulsada à fronteira e começou a preparar alto-falantes de propaganda voltados ao Sul.
Na quinta-feira, a Coreia do Norte disparou perto de dez projéteis balísticos de curto raio rumo ao Mar do Japão, poucas horas antes de uma visita programada do chanceler federal alemão, Friedrich Merz, à Coreia do Sul.
O que está em discussão
No primeiro mandato, entre 2017 e 2021, Trump disse que ele e Kim Jong-un haviam se apaixonado. Mais recentemente, o presidente americano voltou a sinalizar interesse em retomar as negociações. Circulam especulações sobre um possível encontro dos dois em 18 de novembro, em Shenzhen, na China, durante a cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec). A Coreia do Norte não respondeu oficialmente aos sinais de Washington.
O Serviço Nacional de Inteligência da Coreia do Sul informou, em reunião fechada do comitê parlamentar de inteligência, que Kim discutiu a possibilidade de um encontro com Trump durante uma reunião com membros da cúpula do Partido Comunista Chinês em Dandong. A informação é atribuída ao serviço de inteligência sul-coreano pela DW, e não a uma confirmação oficial de Pyongyang ou de Washington.
Os receios em Seul aumentaram após os Estados Unidos proporem negociações trilaterais com Rússia e China sobre o futuro da Ucrânia sem a presença de representantes ucranianos. O temor é que Trump adote estratégia semelhante na Península Coreana.
Riscos apontados por especialistas
Para Lim Eun-jung, professora de estudos internacionais da Universidade Nacional de Kongju, a maior preocupação é a possibilidade de os EUA reconhecerem a Coreia do Norte como potência nuclear. Segundo ela, isso legitimaria o programa nuclear norte-coreano, enfraqueceria os esforços para convencer Pyongyang a abandoná-lo e comprometeria o sistema global de não proliferação.
Outra hipótese discutida em Seul é a de um pacto que retire somente os mísseis nucleares de maior raio, aqueles que conseguem chegar aos Estados Unidos, deixando a Pyongyang armas de curto alcance que atingem com facilidade a Coreia do Sul e o Japão. Isso levantaria dúvidas sobre o compromisso americano de defender a Coreia do Sul em caso de ataque nuclear. Como consequência, ganham espaço vozes que defendem um arsenal nuclear próprio sul-coreano.
Kim Sang-woo, ex-político do partido Congresso para a Nova Política e membro do conselho da Fundação para a Paz Kim Dae-jung, afirmou que existe um problema de confiança entre os dois governos. Ele diz que a parceria em segurança e comércio, antes vista como firme, foi afetada por tarifas, restrições comerciais e pela cobrança de Washington para que Seul amplie sua contribuição financeira à presença militar americana. Também afirmou que diplomatas do presidente sul-coreano Lee Jae-myung perderam acesso a decisores importantes na Casa Branca.
Durante sua visita a Seul, Merz destacou que a segurança da Coreia afeta a segurança da Europa e vice-versa. Ele propôs uma articulação entre potências médias em defesa do livre comércio e contrária a ações unilaterais, regimes autoritários e desrespeito às normas internacionais. Ainda não está claro se Seul responderá positivamente ao apelo alemão de maior aproximação com a União Europeia.
Foto: Reprodução/DW Brasil
Fontes: DW Brasil — https://www.dw.com/pt-br/temor-em-seul-cresce-com-sinais-de-aproximação-entre-eua-e-coreia-do-norte/a-79823948?maca=bra-rss-br-top-1029-rdf





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