Rússia registra 30 mortes por ataques de ursos em 2026 e amplia abate

Maioria dos casos fatais ocorreu entre setembro e início de novembro; população de ursos-pardos passou de 308 mil e regiões oferecem recompensas por abate.

Maioria dos casos fatais ocorreu entre setembro e início de novembro; população de ursos-pardos passou de 308 mil e regiões oferecem recompensas por abate.
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A Rússia chegou a 30 mortes provocadas por ataques de ursos em 2026, segundo a DW Brasil. O total foi atualizado nesta segunda-feira (2), com o registro de uma vítima de 62 anos em Tomsk, na Sibéria. As autoridades classificam o volume como incomum, já que a maior parte dos encontros fatais se deu entre setembro e o começo de novembro.

Vilarejos de várias regiões decretaram toques de recolher para proteger moradores. O plantel de ursos-pardos no país mais que dobrou nas últimas três décadas e soma cerca de 308 mil animais, conforme números do governo federal russo.

Por que os ataques aumentaram

Especialistas ouvidos pela imprensa russa relacionam parte desse avanço populacional a invernos mais curtos e brandos. Neste ano, uma primavera antecipada e seca, ligada às mudanças do clima, diminuiu a disponibilidade de frutas silvestres, alimento importante para os animais. Incêndios florestais também levaram os ursos a áreas urbanas, onde são atraídos por restos de comida deixados por moradores e turistas.

Com isso, cresceram os ataques em áreas habitadas da Sibéria e do Extremo Oriente russo. Ocorrências também foram registradas em Buriátia, Kamchatka, Kemerovo, Novosibirsk e Komi, esta na parte europeia do país, além de áreas próximas à cidade turística de Sochi, às margens do mar Negro.

Abate autorizado, recompensas e proposta em discussão

A resposta russa tem sido o incentivo ao abate. Na região de Irkutsk, as autoridades lançaram uma campanha para caçar mais de 500 ursos-pardos após a série de ataques fatais. O governador Igor Kobzev informou que, desde o começo da operação, em 2 de outubro, os serviços de emergência recebem até 80 ligações por dia sobre a presença de ursos em áreas urbanas.

Perto do lago Baikal, há recompensas de até 15 mil rublos (cerca de R$ 1.000) por animal abatido. Em Tomsk, o departamento regional de pesca e caça informa que o valor pode ser o dobro. É importante distinguir essas medidas já em curso de outra iniciativa: o Partido Verde pediu à Duma, a Câmara Baixa do Parlamento russo, a criação de multas de até 30 mil rublos (R$ 2 mil) para quem alimentar deliberadamente os animais ou descartar resíduos de forma inadequada. O texto não informa se o pedido foi aprovado ou está em tramitação.

Em Krasnoyarsk, região da Sibéria que abriga quase 27 mil ursos, investigadores abriram um processo criminal contra o ministério regional do Meio Ambiente. A acusação é de que o órgão não teria mantido a população de ursos sob controle.

As autoridades esperam que a situação se acalme com o fim do ano, quando os animais costumam voltar às tocas para hibernar.

Em Podtesovo, assentamento com cerca de 3.500 habitantes às margens do rio Ienissei, uma cruz de madeira marca o túmulo de uma moradora de 67 anos, morta por um urso em 31 de agosto, durante a coleta de cogumelos. Moradores relatam medo e mudanças na rotina. Uma gestante da comunidade contou que os passeios foram reduzidos ao máximo, inclusive ao parque, e que os animais chegaram a entrar em locais onde as crianças brincam.

Foto: Reprodução/DW Brasil

Fontes: DW Brasil — https://www.dw.com/pt-br/ursos-se-proliferam-na-rússia-e-já-mataram-30-em-2026/a-79834503?maca=bra-rss-br-top-1029-rdf

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