Um relatório do Center for Strategic and International Studies (CSIS) e do George W. Bush Institute, dos Estados Unidos, afirma que até 12 mil norte-coreanos trabalham numa fábrica russa de drones em Yelabuga, na região do Tartaristão, e são vítimas de graves violações de direitos humanos e de tráfico de pessoas. O documento foi divulgado nesta quarta-feira (21) e atribui a Moscou a produção de mais de 5,5 mil drones por mês para a guerra contra a Ucrânia.
Segundo o estudo, a Coreia do Norte lucra ao reter até 90% dos salários desses trabalhadores, enquanto a China aparece como principal fornecedora de componentes, como baterias, eletrônicos internos, motores e sistemas de navegação. O Irã teria fornecido drones Shahed, que ajudaram a Rússia a desenvolver versões próprias aprimoradas, conhecidas como Geran.
O que o relatório pede
Entre as medidas sugeridas pelo texto conjunto está a articulação do Departamento de Estado dos EUA com governos parceiros para desmontar esquemas de tráfico de pessoas e punir os envolvidos com sanções. O documento também defende que a ONU apure o que ocorre no complexo de Yelabuga e documente as violações ali registradas, com responsabilização dos autores e amparo às vítimas.
Outra recomendação é pressionar empresas estrangeiras que operam na zona econômica especial de Yelabuga, incluindo várias firmas europeias e pelo menos uma dos EUA, a encerrar suas atividades no local. Essas medidas são propostas do relatório, não decisões já adotadas pelos governos ou pela ONU.
O relatório sustenta que Rússia e Coreia do Norte desrespeitam a Resolução 2397 do Conselho de Segurança da ONU, de dezembro de 2017, que exige que qualquer Estado-membro repatrie trabalhadores norte-coreanos em até dois anos. O texto afirma que Pyongyang negocia o envio de seus cidadãos por meio de acordos entre Estados, decide quem pode deixar o país e fica com a maior parte da remuneração, o que caracteriza trabalho forçado.
Limites apontados por especialistas
O professor de relações internacionais Dan Pinkston, da Universidade Troy, afirma que a localização geográfica dos quatro países envolvidos torna impossível qualquer tipo de proibição internacional. Ele diz que as decisões do Conselho de Segurança sobre a mão de obra norte-coreana, a disseminação de armamentos e a comercialização de tecnologias de uso dual são desrespeitadas, e avalia que o sistema de sanções da ONU está praticamente inviável.
O acadêmico e ativista Song Young-Chae, da Coalizão Mundial para Acabar com o Genocídio na Coreia do Norte, afirma que o governo de Pyongyang pratica efetivamente a escravidão de seu povo em benefício próprio. Segundo ele, a situação não se restringe a Yelabuga: há norte-coreanos em obras de construção em áreas ocupadas da Ucrânia, em atividades de extração de madeira e dezenas de milhares de soldados enviados para as linhas de frente na Ucrânia.
Song diz que os países compartilham fronteiras, o que facilita o transporte de trabalhadores, e que nenhuma agência pode intervir. Ele também afirma que Rússia e China, membros permanentes do Conselho de Segurança, ignoram resoluções sobre a questão. A organização da qual faz parte tenta chamar atenção para a situação e criar uma coalizão de países e agências para proteger os trabalhadores, mas ele se diz pessimista.
Foto: Reprodução/DW Brasil





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