Protestos da Geração Z na Alemanha terminam em distúrbios e críticas do governo

Manifestações pacíficas em mais de 30 cidades alemãs pediram mais verba para escolas e combate à crise climática; à noite, houve confrontos e detenções.

Manifestações pacíficas em mais de 30 cidades alemãs pediram mais verba para escolas e combate à crise climática; à noite, houve confrontos e detenções.
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Jovens alemães saíram às ruas no sábado em mais de 30 cidades, entre elas Berlim, Colônia e Frankfurt, em atos convocados pelo movimento Gen Z regelt (“Geração Z assume o comando”), segundo a DW Brasil. A mobilização, que reuniu dezenas de milhares de pessoas, começou de forma pacífica, mas terminou com confrontos, garrafas e rojões lançados em Berlim e uso de canhões d’água em várias localidades.

Neste domingo (1º de novembro), o ministro do Interior da Alemanha, Alexander Dobrindt, condenou os distúrbios. Em declaração ao tabloide Bild, atribuiu a violência a “grupos violentos de extrema esquerda e agitadores oriundos da comunidade migrante”, que, segundo ele, se apropriaram dos atos pacíficos da tarde. O ministro disse que os responsáveis serão identificados e devem responder por seus atos, com punições severas.

O que o movimento reivindica

O Gen Z regelt apresentou três bandeiras centrais: mais recursos para as escolas, enfrentamento do encarecimento da vida e políticas climáticas mais rigorosas. A separação entre essas pautas e os incidentes noturnos é ponto sensível do noticiário. Os organizadores se distanciaram da violência em mensagem no grupo de Telegram dos protestos de Frankfurt, na qual lamentaram que tenham ocorrido situações indesejadas.

O líder da bancada do Partido Social-Democrata (SPD) no Parlamento, Dirk Wiese, defendeu que as demandas dos jovens recebam atenção séria e que os confrontos não ofusquem o conteúdo legítimo das reivindicações. Ao jornal Rheinische Post, ele afirmou que a política precisa agir diante da desigualdade de oportunidades e das injustiças no sistema educacional, mas também sustentou que casos de violência exigem condenação inequívoca e resposta firme.

Reações e detenções

O secretário do Interior da Renânia do Norte-Vestfália, Herbert Reul, do CDU, adotou tom menos compreensivo e criticou duramente os distúrbios em Colônia. Em comunicado, disse que os atos foram usados por extremistas de esquerda e por grupos de jovens violentos, e que quem atira pedras e rojões contra a polícia não tem reivindicação política.

Em Frankfurt, a polícia deteve temporariamente mais de 30 pessoas, conforme a emissora local HR. O ministro Dobrindt elogiou a atuação das forças de segurança e afirmou que foram evitadas explosões de violência como as registradas em Paris após protestos estudantis semelhantes.

Participantes criticaram o debate sobre violência que antecedeu os atos. Ada, uma das manifestantes, disse que imprensa e políticos desqualificaram os protestos antes de acontecerem e que o foco deveria recair sobre as reivindicações, não sobre os incidentes. Lilly Fabienne resumiu: segundo ela, políticos e polícia chamam os jovens de extremistas, mas o movimento apenas quer ser ouvido.

Foto: Reprodução/DW Brasil

Fontes: DW Brasil — https://www.dw.com/pt-br/manifestação-da-geração-z-agita-a-alemanha-só-queremos-que-nos-ouçam/a-79823403?maca=bra-rss-br-top-1029-rdf

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