Professor Raimundo Saúde relata 27 anos de magistério em Manaus

Entrevista do projeto Vozes da Educação de Manaus traz trajetória do professor Raimundo Saúde, que começou a lecionar em escolas estaduais em 1999.

Entrevista do projeto Vozes da Educação de Manaus traz trajetória do professor Raimundo Saúde, que começou a lecionar em escolas estaduais em 1999.
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O professor Raimundo Saúde Vega Diniz, de 56 anos, é o entrevistado do projeto Vozes da Educação de Manaus (VEM), que segue com homenagens pelo Dia do Professor, celebrado em 15 de outubro. Na entrevista, publicada pelo Fato Amazônico em 19 de outubro, ele relata a trajetória no magistério e avalia os desafios da educação pública.

Nascido em 2 de fevereiro de 1970 na comunidade rural de Areal, em Juruti (PA), Saúde migrou com a família para Manaus em 1987. Concluiu o ensino básico e o técnico em Administração de Empresas na capital e, antes de lecionar, trabalhou como ajudante de garçom, pedreiro, em loja de material de construção e por oito anos como operário em empresas do Distrito Industrial.

Trajetória no magistério

Segundo o relato, ele retomou os estudos formais em 1997, no curso de Magistério do Instituto de Educação do Amazonas, e depois cursou História na então Universidade do Amazonas (UA), atual UFAM, concluindo a graduação em 2000 e a pós-graduação em 2004. A docência começou em 1999, aos 29 anos, em escolas estaduais de Manaus, nos ensinos fundamental e médio.

Entre os 29 e os 31 anos, também lecionou na zona rural ribeirinha de Manaus. Na entrevista, compara as duas experiências: na área urbana, percebia desinteresse dos estudantes mesmo com maior estrutura; na rural, apesar das dificuldades, encontrou respeito ao professor e interesse pela educação. De 2002 a 2004, atuou como professor credenciado e substituto da UFAM no curso de História, na capital e no interior, pelo Programa Especial de Formação de Docentes (PEFD).

O que ele aponta na educação pública

Ao avaliar 27 anos de magistério, Saúde afirma que houve mudanças preocupantes, entre elas o que chama de banalização da educação pública. Ele cita o desrespeito aos profissionais por parte de governos e da sociedade e os processos de aprovação automática de estudantes sem a aprendizagem correspondente. Para ele, quando os índices positivos passam a valer mais do que a aprendizagem efetiva, o resultado compromete a qualidade do ensino.

O professor também diz manter a expectativa de uma reviravolta que traga melhorias efetivas à qualidade do ensino, com valorização dos professores e compromisso com a aprendizagem. Aos colegas, deixa a mensagem de continuar defendendo uma educação pública de qualidade, citando a comparação do historiador inglês Peter Burke sobre avanços e recuos nos processos históricos.

O material recebido não detalha a rede em que ele atua atualmente, a escola ou o cargo que ocupa hoje, nem eventuais projetos em andamento. A entrevista integra uma série do projeto VEM, que apresenta histórias de professores de Manaus.

Foto: Reprodução/Fato Amazônico

Fontes: Fato Amazônico — https://fatoamazonico.com.br/vozes-da-educacao-de-manaus-raimundo-saude/

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