O Vaticano informou nesta sexta-feira (30) que o papa Leão 14 remeteu sua cédula eleitoral pelos Correios para as eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, previstas para 3 de novembro. Robert Francis Prevost nasceu em Chicago, é o primeiro pontífice americano e mantém seu registro de eleitor em Illinois.
De acordo com o escritório de imprensa da Santa Sé, o papa votou na condição de cidadão americano. A nota afirma que ele costuma participar de pleitos sempre que tem direito e que também votou enquanto viveu no Peru, país onde passou mais de vinte anos como missionário e bispo.
Como funciona o voto de um papa americano
Há duas situações diferentes em jogo. Leão 14, de 71 anos, tem nacionalidade americana e peruana, e a lei dos EUA autoriza quem mora fora do país a votar à distância, com a cédula remetida por via postal. Já como chefe da Santa Sé, ele governa o Estado da Cidade do Vaticano, uma monarquia absoluta que não realiza eleições políticas.
O Departamento de Estado americano registra que a nacionalidade de um americano que assume a chefia de um Estado estrangeiro pode passar por exame, sem que isso signifique perda automática do vínculo. A análise mencionada pela fonte, portanto, não representa uma decisão sobre a situação do pontífice.
O cartório eleitoral do condado de Will, em Illinois, informou que o pontífice pediu sua cédula em 3 de outubro. O requerimento foi apresentado dez dias antes da cirurgia a que ele se submeteu para retirar um tumor cancerígeno no pulmão direito. O Vaticano não detalhou o caminho percorrido pela cédula até as autoridades eleitorais.
Registro eleitoral e relação com Washington
Conforme o Conselho Eleitoral de Illinois, Robert Prevost já votou em primárias tanto do Partido Democrata quanto do Partido Republicano. O histórico inclui eleições gerais desde 2000, sem registro de participação em 2020 e 2022. O Vaticano não revelou em quem o pontífice votou neste ano.
A votação ocorre em meio a divergências públicas entre Leão 14 e o presidente republicano Donald Trump. Desde o início do pontificado, o papa tem criticado a condução da guerra envolvendo Irã e Israel e a política migratória do governo americano, além de defender acolhimento digno aos imigrantes diante do programa de deportações em massa da administração Trump.
O presidente respondeu em diversas ocasiões, classificando o pontífice como “fraco” e alinhado à “esquerda radical”. Em abril, durante uma viagem à África, Leão reagiu às críticas e afirmou a jornalistas que não teme o governo Trump nem proclamar em voz alta a mensagem do Evangelho.
Apesar dos embates, as tensões entre a Santa Sé e Washington diminuíram nos últimos meses, segundo o arcebispo Richard Paul Gallagher, da Seção para as Relações com os Estados e as Organizações Internacionais do Vaticano. Para ele, desacordos pontuais devem ser tratados com diálogo e com a retomada da confiança.
O irmão mais velho do pontífice, John Prevost, esteve em Roma nesta semana acompanhando um grupo de fiéis da paróquia St. Jude, em New Lenox, cidade onde Leão 14 mantém registro eleitoral. O material recebido não informa o resultado da votação nem detalhes sobre a contagem das cédulas enviadas do exterior.
Foto: Reprodução/DW Brasil
Fontes: DW Brasil — https://www.dw.com/pt-br/papa-leão-14-vota-por-correio-em-eleição-dos-eua/a-79812579?maca=bra-rss-br-top-1029-rdf





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