Netanyahu ordena bloqueio total da Cisjordânia após ataque perto de Hebron

Medida foi anunciada após tiroteio que deixou cinco feridos; comunicado não define duração nem detalha impacto sobre a circulação de palestinos.

Medida foi anunciada após tiroteio que deixou cinco feridos; comunicado não define duração nem detalha impacto sobre a circulação de palestinos.
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O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, determinou nesta sexta-feira (23) o fechamento integral da Cisjordânia, território ocupado por Israel, em reação a um ataque a tiros nas proximidades de Hebron, no sul da região, que terminou com pelo menos cinco pessoas feridas.

Conforme o comunicado distribuído pelos canais oficiais do premiê, as Forças de Defesa de Israel (FDI) e os demais aparatos de segurança devem cercar Hebron de imediato e ficar prontos para isolar toda a área da Judeia e Samaria — como Israel designa a Cisjordânia — já a partir desta sexta.

O texto não traz prazo de vigência para o fechamento. Com isso, permanece indefinido o efeito prático sobre o vaivém da população palestina. O anúncio foi feito a poucos dias do pleito israelense de terça-feira, no qual o eleitorado decidirá se mantém Netanyahu no cargo de primeiro-ministro por mais um mandato.

O ataque e a resposta

O tiroteio ocorreu pouco antes do anúncio, no entroncamento de Judeia, nas cercanias de Hebron. Uma fonte militar israelense ouvida pela agência EFE relatou que os atacantes portavam um fuzil M16 e uma pistola e dispararam contra israelenses que estavam no local. O Exército sustentou ter evitado um atentado terrorista, e dois supostos agressores foram mortos; as identidades não foram reveladas.

Os socorristas informaram que cinco pessoas se feriram, algumas em estado grave, e foram levadas a hospitais israelenses. Em nota, as equipes de emergência relataram que ainda havia disparos quando chegaram ao entroncamento de Yehuda, pela manhã. Dois jovens de cerca de 20 anos levaram tiros nas pernas; um deles estava inconsciente e em estado grave. As autoridades disseram que uma investigação está em curso.

Junto com o bloqueio, Netanyahu comunicou a intensificação das ações de segurança e a realização de novas prisões em toda a Cisjordânia ocupada. Ele declarou que Israel vai caçar os terroristas do Hamas e quem os envia em qualquer lugar e a qualquer momento. O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, afirmou que o episódio em Hebron comprova, na avaliação dele, a necessidade de limitar a circulação dos palestinos no território ocupado.

O que se sabe sobre a medida

A ordem divulgada descreve duas etapas: o cerco imediato a Hebron e a preparação para o fechamento total da Cisjordânia a partir desta sexta-feira. O comunicado não detalha como o bloqueio será aplicado, quais rotas serão afetadas nem se haverá exceções para deslocamentos específicos. Também não há prazo divulgado para revisão ou fim da medida.

Desde o ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023, a violência aumentou na Cisjordânia, ocupada por Israel desde 1967. Um levantamento da agência AFP com dados do Ministério da Saúde palestino aponta ao menos 1.113 palestinos mortos na região nesse intervalo, em sua maioria por militares israelenses. As Nações Unidas contabilizaram 37 palestinos mortos por colonos israelenses. Já os números israelenses indicam pelo menos 49 israelenses mortos no mesmo período, a maior parte em atentados palestinos, mas também em operações militares.

Foto: Reprodução/DW Brasil

Fontes: DW Brasil — https://www.dw.com/pt-br/netanyahu-ordena-bloqueio-da-cisjordânia-após-ataque/a-79740634?maca=bra-rss-br-top-1029-rdf

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