Lago Tefé volta a registrar calor extremo e equipe monitora botos em alerta

Após novo óbito de boto-vermelho, operação do ICMBio testa métodos para afastar animais de área crítica e mantém monitoramento da temperatura da água.

Após novo óbito de boto-vermelho, operação do ICMBio testa métodos para afastar animais de área crítica e mantém monitoramento da temperatura da água.
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A Operação Emergência Botos Tefé, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), segue acompanhando botos-vermelhos e tucuxis no Lago Tefé, no município de Tefé, no interior do Amazonas, depois que a temperatura da água voltou a atingir recorde. A equipe permanece em alerta para identificar alterações nos animais.

Em 19 de outubro, um boto-vermelho macho jovem foi encontrado sem vida na Enseada do Papucu. O animal passou por necropsia, com coleta de amostras para identificar a causa da morte. O registro ocorreu um dia depois de a água ter sido medida acima de 38,8°C, em 18 de outubro.

Monitoramento e estratégias de condução

Conforme o ICMBio, a equipe alterna observações feitas de embarcações e de pontos fixos em terra. Essa combinação amplia a confiabilidade dos registros e a chance de perceber comportamento fora do padrão. Para animais com sinais clínicos graves, existe uma estrutura flutuante de reabilitação destinada a recebê-los e tratá-los.

Métodos para levar os grupos de botos para longe das áreas mais críticas estão em teste em campo. Entre eles estão os “pingers”, que emitem som para afugentar cetáceos, e o Huki Lau, adaptado de povos tradicionais do Havaí, semelhante a uma cortina com objetos que evitam a aproximação dos animais.

Redes de pesca também foram usadas para retirar botos e tucuxis da Enseada do Papucu, com sucesso na retirada de boa parte dos indivíduos. Uma barreira de estacas de madeira, chamada “pari”, foi instalada em uma das aberturas da enseada para impedir a entrada dos animais.

Contexto e limites das análises

O evento incomum de mortalidade na região do Lago Tefé, no Médio Solimões, começou a ser registrado em 23 de setembro. Ao todo, 154 indivíduos morreram, sendo 131 botos-vermelhos e 23 tucuxis. Desse total, 122 animais foram necropsiados e tiveram amostras enviadas a laboratórios especializados. Até o momento, 17 indivíduos foram avaliados com análises histológicas, sem indício de agente infeccioso como causa primária. O diagnóstico molecular (PCR) de 18 indivíduos deu negativo para Morbillivirus, Toxoplasma, Clostridium, Mycobacterium e Pan-fúngico.

O exame de metagenômica do viroma ficou dentro do esperado e afastou a possibilidade de infecção viral ativa. Já a análise de bacterioma ainda não chegou a uma conclusão. A equipe também identificou proliferação da alga Euglena sanguinea desde 3 de outubro, mas não há evidências de que sua toxina esteja relacionada à mortalidade dos botos ou de peixes no lago.

O monitoramento ambiental do lago é contínuo e detectou aumento de temperatura nos últimos dias, chegando próximo aos 39°C e atingindo 40,9°C em um ponto muito raso onde não havia botos e tucuxis. A operação é dividida em três frentes: Operação Vivos, Operação Mortos e Monitoramento Ambiental. Até o momento, nenhum animal foi resgatado.

Foto: Miguel Monteiro/Reprodução Portal Amazônia

Fontes: Portal Amazônia — https://portalamazonia.com/meio-ambiente/seca-botos-monitorados-amazonia/

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