HRW aponta ocultação de câmeras em operação que matou 122 no Rio

Relatório analisou 4 mil horas de imagens e diz que câmeras foram obstruídas em momentos-chave; um ano depois, mortes seguem sem conclusão.

Relatório analisou 4 mil horas de imagens e diz que câmeras foram obstruídas em momentos-chave; um ano depois, mortes seguem sem conclusão.
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Um ano após a operação policial mais letal da história do Brasil, a Human Rights Watch (HRW) acusa as polícias militar e civil do Rio de Janeiro de graves desvios de conduta na ação realizada em 28 de outubro de 2025 nos complexos do Alemão e da Penha. A Operação Contenção terminou com 122 mortos: 117 civis e cinco policiais, segundo a organização.

O relatório da HRW, publicado na quarta-feira (28), afirma que policiais manipularam câmeras corporais e que houve falhas graves na investigação, em violação a decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o governo do Rio, apenas 23% dos cerca de 2,5 mil agentes que participaram da operação usavam as câmeras.

O que o relatório aponta

A HRW analisou mais de 4 mil horas de imagens obtidas de câmeras usadas por 527 policiais militares. De acordo com a organização, agentes deixaram as câmeras ligadas antes da operação até esgotar as baterias, cobriram as lentes, posicionaram os equipamentos onde não captariam as ações e deixaram câmeras nos veículos. Em 36% dos momentos com tiros registrados, as lentes estavam obstruídas.

O diretor da HRW Brasil, César Muñoz, afirmou que, para a organização, está claro que a decisão do STF que obriga a polícia fluminense a usar câmeras corporais foi descumprida. A análise de laudos de necropsia indicou que a maioria dos mortos foi atingida por disparos, o que, segundo Muñoz, sugere que a operação aparentemente foi concebida para produzir consequências letais.

Vídeos e fotos feitos por moradores também mostraram, conforme a HRW, cenas de brutalidade, incluindo maus-tratos a detidos. A organização pede investigação completa e independente sobre o planejamento da operação.

O que a lei mudou e o que segue em aberto

Passado um ano, ainda não há conclusão sobre as circunstâncias das mortes nem sobre os responsáveis, apesar de investigações das polícias Civil e Federal e do Ministério Público do Rio de Janeiro. Em março deste ano entrou em vigor a lei contra facções criminosas, voltada a organizações como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital e também às milícias.

Para Rodrigo Ghiringhelli de Azevedo, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a lei responde a um problema real ao ampliar instrumentos de investigação patrimonial, rastreamento financeiro e cooperação institucional. Ele pondera, porém, que medidas como a prisão preventiva automática e a restrição de benefícios na execução penal podem agravar a superlotação carcerária, o que, segundo ele, favorece o recrutamento de novos integrantes pelas próprias facções.

Azevedo também vê questionamento constitucional na restrição do auxílio-reclusão a dependentes de presos por envolvimento com organizações criminosas, por punir economicamente familiares que não cometeram crime. Muñoz defende foco na prevenção do recrutamento de jovens e em alternativas para quem cometeu delitos.

Foto: Reprodução/DW Brasil

Fontes: DW Brasil — https://www.dw.com/pt-br/um-ano-após-massacre-no-rio-investigação-de-ong-revela-má-conduta-da-polícia/a-79799868?maca=bra-rss-br-top-1029-rdf

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