Aposentados com nacionalidade turca na Alemanha recebem, em média, cerca de 360 euros (aproximadamente R$ 2.170) menos por mês do que aposentados alemães, segundo análise especial da Previdência Alemã divulgada à plataforma Mediendienst Integration e reportada pela DW. Os dados se referem aos chamados Gastarbeiter, os “trabalhadores convidados” que chegaram ao país principalmente entre 1955 e 1973, e a seus descendentes.
Em junho deste ano, 9,3% dos cidadãos turcos dependiam de benefícios sociais complementares para idosos, contra 2,7% entre os alemães — mais de três vezes mais. A DW publicou a reportagem em 30 de outubro.
O que os números mostram
O professor Haci-Halil Uslucan, de Estudos Turcos Modernos na Universidade de Duisburgo-Essen, afirma que a pobreza na velhice é duas vezes mais alta entre migrantes: entre 25% e 30%, contra 12% a 14% entre os alemães. Ele também aponta que invalidez e aposentadoria precoce atingem migrantes em proporção bem maior, atribuindo o fenômeno ao esforço físico da primeira geração.
Segundo o cientista social Eric Seils, da Fundação Hans Böckler, a explicação central está nos salários mais baixos e no histórico profissional. Os trabalhadores convidados foram direto para fábricas, minas ou canteiros de obras, com remuneração por hora menor, frequentemente por terem menor nível de escolaridade. O fim da era industrial, a partir do começo dos anos 1970, e o choque do petróleo agravaram o desemprego entre quem tinha menos formação.
A pesquisadora Janina Söhn, do Instituto de Pesquisa Sociológica de Göttingen (SOFI), avalia que quase um terço dos migrantes em risco de pobreza representa um problema para a Alemanha. Ela destaca que mulheres migrantes que vivem sozinhas enfrentam situação especialmente alarmante.
Limites dos indicadores
Os percentuais divulgados tratam de grupos específicos — aposentados com nacionalidade turca e migrantes em geral — e não do conjunto da população idosa alemã. A comparação de 9,3% com 2,7% mede a proporção de cada grupo que depende de benefícios complementares para idosos, não o valor médio recebido por todos os aposentados do país.
Dados da Agência Federal de Emprego citados na reportagem mostram que a taxa de ocupação desse grupo na aposentadoria é apenas metade da observada entre os alemães: 5,2% contra 10,8%. Segundo Söhn, a possibilidade de complementar a renda é limitada pela qualificação insuficiente ou pelo desgaste físico de décadas de trabalho pesado.
Em meados de setembro, o governador da Renânia do Norte-Vestfália, Hendrik Wüst, homenageou em evento no aeroporto de Düsseldorf as pessoas que desembarcaram ali 65 anos antes. Ele afirmou que os trabalhadores convidados tornaram o país mais diverso, aberto e forte, mas disse que a meta só será alcançada quando origem, aparência e crença deixarem de pesar. Para Uslucan, a Alemanha ainda está longe disso, embora ele veja o acordo como uma história de sucesso em áreas como o avanço educacional.
Foto: Reprodução/DW Brasil
Fontes: DW Brasil — https://www.dw.com/pt-br/trabalhadores-trazidos-para-reconstruir-alemanha-vivem-hoje-na-pobreza/a-79805477?maca=bra-rss-br-top-1029-rdf





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