O Ministério do Interior da França informou que cerca de 320 mil pessoas participaram neste sábado (31) de protestos contra o aumento do custo de vida em cerca de 30 cidades do país. Os organizadores apresentam números maiores: meio milhão de manifestantes, segundo sindicatos estudantis, e até 800 mil, de acordo com a central sindical CGT. Em Paris, a polícia estimou 70 mil participantes, enquanto os organizadores falam em 200 mil.
Na Alemanha, os atos ocorreram no mesmo dia, mas reuniram bem menos gente do que o previsto. As autoridades esperavam público maior, com base nos registros prévios de participantes, mas apenas alguns poucos milhares saíram às ruas. O maior ato foi em Berlim, com cerca de 5 mil manifestantes nas proximidades do Portão de Brandemburgo, acompanhados por aproximadamente 1.500 policiais.
Diferença entre inscrição e comparecimento
O contraste alemão entre inscritos e presentes é o dado mais concreto para entender o alcance da mobilização. O número de 180 mil registros não se confirmou como comparecimento efetivo, e a polícia contabilizou poucos milhares nas ruas. Em Munique, cerca de 4 mil pessoas protestaram diante da Universidade Ludwig Maximilian. Em Hamburgo e Colônia, houve incidentes isolados, com uso de fogos de artifício, spray de pimenta e canhões de água.
Na França, a participação também caiu em relação às semanas anteriores. Em 17 de outubro, o governo contabilizou cerca de 550 mil manifestantes; em 24 de outubro, 410 mil. Os atos deste sábado, portanto, foram menores que os dois anteriores, segundo os dados oficiais. O governo francês classificou a mobilização como de “alto risco” para a ordem pública e mobilizou cerca de 70 mil agentes das forças de segurança, incluindo policiais, gendarmes, veículos blindados, drones e helicópteros.
Violência e prisões
Apesar do aparato, confrontos foram registrados em Paris, Marselha, Rennes, Lyon, Nantes e Toulouse, com ao menos 422 presos. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, afirmou que “as manifestações decorreram bem”, mas lamentou que agitadores infiltrados em grupos tenham novamente entrado em choque com as forças de segurança. Um policial sofreu ferimentos leves após ser atingido por um coquetel molotov, e outros 10 gendarmes ficaram feridos.
Os protestos franceses começaram no fim de setembro, quando estudantes secundaristas e universitários denunciaram a deterioração das escolas e universidades públicas. O movimento incorporou depois reivindicações sobre preços, poder de compra e qualidade dos serviços públicos. Os atos foram convocados por sindicatos, estudantes e pelo movimento dos “coletes amarelos”.
Na Alemanha, especialistas ouvidos pela emissora pública ARD apontam uma mudança geracional: ao contrário de movimentos anteriores focados em pautas climáticas, como o Fridays for Future, as manifestações atuais unem pautas ambientais a reivindicações econômicas e sociais imediatas, como aluguel, moradia e mercado de trabalho.
Foto: Reprodução/DW Brasil
Fontes: DW Brasil — https://www.dw.com/pt-br/frança-reúne-320-mil-em-atos-nacionais-mobilização-da-geração-z-decepciona-na-alemanha/a-79819033?maca=bra-rss-br-top-1029-rdf





Deixe um comentário