Exposição em Berlim revisita legado de Gengis Khan até abril de 2027

Mostra na James-Simon-Galerie aborda o Império Mongol e o ‘Século Mongol’; curador destaca inovações e violência em escala inédita.

Mostra na James-Simon-Galerie aborda o Império Mongol e o 'Século Mongol'; curador destaca inovações e violência em escala inédita.
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A James-Simon-Galerie, em Berlim, apresenta a exposição “Gengis Khan e o Mundo dos Mongóis”, que revisita a trajetória do fundador do Império Mongol e o chamado “Século Mongol” (1250-1350). A mostra fica em cartaz de 21 de outubro de 2026 a 18 de abril de 2027, às vésperas dos 800 anos da morte de Gengis Khan, ocorrida em 1227.

Segundo o arqueólogo Matthias Wemhoff, diretor do projeto da exposição, o líder mongol continua “incrivelmente relevante”. Ele afirmou à DW que a era demonstra a rapidez com que estruturas estabelecidas podem ruir e vastos impérios podem desaparecer do mapa.

O que a mostra aborda

A exposição começa com a Batalha de Legnica, travada em 1241 na Silésia, atual Polônia, a cerca de 260 quilômetros de Berlim. O episódio, ocorrido após a morte de Gengis Khan, é usado para ilustrar os métodos militares mongóis: cavaleiros móveis em pequenos cavalos, com armaduras lamelares e arcos capazes de disparar 20 ou mais flechas por minuto, segundo Wemhoff.

O curador destaca inovações do período, como a promoção de comandantes por habilidade e lealdade, a organização de soldados em unidades de 10, 100, 1.000 e 10.000 homens, o primeiro sistema de escrita para a língua mongol, um conjunto unificado de leis, o uso de moeda de papel e uma política de liberdade religiosa em todo o império.

No auge, o Império Mongol cobria aproximadamente 24 milhões de quilômetros quadrados, da China e da Coreia a partes da Europa Oriental e do Oriente Médio, abrangendo mais de 16% da área terrestre do planeta. O domínio mongol também unificou a Rota da Seda sob uma única autoridade, tornando as viagens de longa distância mais seguras, período conhecido como “Pax Mongolica”.

Limites do legado

Wemhoff ressalta que a estabilidade e o intercâmbio cultural vieram acompanhados de níveis impressionantes de crueldade, com execuções em massa e abusos contra mulheres em escala sem precedentes. As conquistas mongóis causaram a morte de cerca de 40 milhões de pessoas, segundo a reportagem.

O curador observa que, na memória coletiva da Europa Ocidental, a invasão mongol quase não tem importância e é vista como curiosidade histórica, enquanto no leste europeu as invasões “mudaram tudo de forma fundamental”. Na Alemanha, o líder é lembrado principalmente pela banda de eurodisco Dschinghis Khan, que representou o país no Festival Eurovision de 1979.

Foto: Reprodução/DW Brasil

Fontes: DW Brasil — https://www.dw.com/pt-br/como-gengis-khan-transformou-o-mundo-e-criou-um-império-sem-precedentes/a-79777765?maca=bra-rss-br-top-1029-rdf

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