Eurodeputados e parlamentares alemães ligados a grupos legislativos sobre o Brasil afirmaram à DW que acompanham com atenção a eleição presidencial brasileira marcada para este domingo. Eles apontam temas considerados decisivos para a parceria com a União Europeia, como questão ambiental, acordo UE-Mercosul, terras raras, respeito à democracia e o papel dos algoritmos das plataformas digitais.
Há consenso de que o Brasil é parceiro relevante para a Europa e de que o diálogo deve continuar independentemente do resultado das urnas. Os entrevistados, porém, avaliam que o resultado dará o tom da parceria e pode alterar o peso que Brasília dá a terceiros, como os Estados Unidos. O apelo comum é pela manutenção dos compromissos assumidos.
O que está em jogo na relação comercial
O Brasil ocupa posição central na negociação do Mercosul com a UE. Conforme a DW, desde maio vigora de forma provisória o acordo comercial interino, mas o tratado de parceria mais abrangente segue sem a conclusão das etapas de ratificação. Para consolidar esse tratado, o bloco europeu exige dos países sul-americanos padrões ambientais elevados.
Essa diferença é relevante para o leitor: a vigência provisória do acordo interino não significa que o tratado mais amplo já tenha sido ratificado, etapa que continua pendente. O presidente da Delegação do Parlamento Europeu para as Relações com o Brasil, Hélder Sousa Silva, afirmou à DW que o acordo entre UE e Mercosul poderá abrir novas oportunidades desde que venha acompanhado de compromissos efetivos em sustentabilidade e de benefícios para empresas e cidadãos. Ele também citou o domínio de matérias-primas críticas como área de interesse comum.
Posições divergentes entre os parlamentares
A eurodeputada Anna Cavazzini, vice-presidente da mesma delegação e integrante do grupo dos Verdes/Aliança Livre Europeia, disse que o resultado definirá se o Brasil continuará sendo parceiro confiável para a Europa. Segundo ela, a atuação do bloco leva em conta padrões democráticos, coesão social, Estado de Direito e proteção da Amazônia e de seus povos, e elogiou a redução do desmatamento sob o governo Lula.
No Bundestag, o deputado Florian Ossner, da CSU, afirmou que o Brasil, como parceiro comercial mais importante da Alemanha na América Latina, está diante de uma decisão de rumo que moldará a parceria bilateral. Já Rainer Rothfuss, da AfD e presidente do Grupo Parlamentar Alemão-Brasileiro, disse ver grande potencial de colaboração com Flávio Bolsonaro e defendeu que uma eventual presidência do candidato mantenha a via dos Brics como alternativa aos Estados Unidos.
O Serviço de Pesquisa do Parlamento Europeu, em relatório publicado neste mês, afirmou que uma vitória de Flávio Bolsonaro poderia aproximar o Brasil do governo de Donald Trump e afastá-lo do Brics e da China, segundo a DW. O material recebido não informa manifestação das campanhas dos candidatos sobre as declarações dos parlamentares europeus; o espaço segue aberto.
Foto: Reprodução/DW Brasil
Fontes: DW Brasil — https://www.dw.com/pt-br/parlamentares-europeus-veem-eleição-como-decisiva-para-relações-com-o-brasil/a-79736589?maca=bra-rss-br-top-1029-rdf





Deixe um comentário