EUA sancionam ferrovias do Irã; rota pela China leva até 60 dias

Sanções dos EUA atingem três empresas ferroviárias iranianas; rota China-Teerã anunciada em 14 dias pode levar de 50 a 60 dias na prática.

Sanções dos EUA atingem três empresas ferroviárias iranianas; rota China-Teerã anunciada em 14 dias pode levar de 50 a 60 dias na prática.
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Três companhias ferroviárias do Irã estão entre os alvos de uma nova rodada de medidas econômicas anunciada pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos em 1º de outubro. A lista inclui ainda sete montadoras iranianas e cinco fornecedores de autopeças sediados no exterior, no âmbito da Operação Pária Econômico. Conforme a DW, o governo americano sustenta que as áreas ferroviária e automotiva do país geram receita e capacidade logística ao Estado e mantêm vínculos com redes ligadas à Guarda Revolucionária Islâmica.

O setor escolhido não é casual: desde que o bloqueio marítimo americano reduziu as saídas comerciais iranianas pelo sul, Teerã passou a priorizar fronteiras terrestres e ligações ferroviárias com a China, a Ásia Central, a Rússia e a Turquia.

O que a malha ferroviária iraniana movimenta

Shahriar Naghizadeh, diretor-geral de comércio exterior na autoridade ferroviária do Irã, informou à DW que o país dispõe de aproximadamente 15 mil quilômetros de trilhos, somando trechos principais e secundários, além de mais de 35 mil vagões e perto de 500 locomotivas a diesel. No ano iraniano encerrado em março de 2026, o volume escoado foi de cerca de 44 milhões de toneladas, acima das cerca de 40 milhões do período anterior. A meta definida para este ano é de 54 milhões de toneladas.

O território iraniano conta com 13 passagens ferroviárias que fazem fronteira com países vizinhos, permitindo acesso terrestre à Turquia, ao Azerbaijão, ao Afeganistão e ao Paquistão, além de caminhos para a Ásia Central e a China via Turcomenistão.

Prazo anunciado e prazo real

A principal contribuição desta notícia está em distinguir o tempo de trânsito divulgado para os trens de carga entre a China e o Irã da estimativa efetiva de entrega. Em setembro, um trem partiu da China com autopeças, bens de consumo e cargas consolidadas, passando por Cazaquistão, Uzbequistão e Turcomenistão antes de entrar no Irã por Sarakhs, com previsão de 14 a 16 dias.

Uma empresa de logística chinesa, porém, disse à DW que os prazos reais podem ser bem maiores por causa de inspeções de fronteira, procedimentos alfandegários e disponibilidade de trens. A estimativa nas condições atuais, para a rota principal entre oeste da China e Teerã, é de 50 a 60 dias. O transporte rodoviário em trajeto semelhante leva cerca de 22 a 25 dias.

Segundo a DW, a Bloomberg informou em maio que a frequência dos trens de carga de Xi’an para Teerã aumentou: antes do bloqueio, era de cerca de um por semana; depois, passou a um a cada três ou quatro dias. Aumentar o número de trens, no entanto, depende de locomotivas, vagões e da cooperação dos países por onde a carga passa.

Barreiras alfandegárias, a troca de bitola entre países, dificuldades de pagamento e as próprias sanções figuram entre os motivos que podem prolongar o percurso. As novas medidas americanas também deixam em aberto como operadores ferroviários estrangeiros, agentes de carga, bancos e seguradoras seguirão mantendo relações com as empresas iranianas.

Alireza Salavati, analista de economia política e diretor administrativo da consultoria londrina Middle East Analytica, afirmou à DW que existe hoje uma rota terrestre viável entre a China e o Irã, mas que ela não deve ser classificada como substituta do frete marítimo. Navios transportam volumes muito maiores a custo unitário menor, e o modal ferroviário é mais atraente para cargas em que velocidade e continuidade pesam mais que o frete, como componentes automotivos, maquinário, eletrônicos e insumos industriais.

Salavati também argumenta que o impacto sobre as empresas não se mede apenas pelo custo do frete. Prazos mais longos exigem mais capital de giro para manter o mesmo fluxo de produção, e a confiabilidade é tão importante quanto a velocidade. Ele avalia que a pressão de Washington pode aproximar o Irã da órbita econômica da China e do sistema estratégico da Rússia, sem que isso signifique compensação total pelo custo das sanções.

Foto: Reprodução/DW Brasil

Fontes: DW Brasil — https://www.dw.com/pt-br/irã-tenta-contornar-com-ferrovias-expansão-das-sanções-dos-eua/a-79735225?maca=bra-rss-br-top-1029-rdf

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