Os Estados Unidos atacaram nesta terça-feira a ilha iraniana de Qeshm, segundo autoridades do governo americano. A ação ocorreu horas antes da abertura dos locais de votação das eleições de meio de mandato nos EUA, vistas como um plebiscito sobre o governo do presidente Donald Trump, que enfrenta baixos índices de popularidade.
Autoridades americanas não identificadas, ouvidas pelos jornais The Wall Street Journal e The New York Times, pela CNN e por agências de notícias, classificaram a operação como restrita e de caráter defensivo. A mídia estatal iraniana relatou explosões em Qeshm, em Hengam e na região continental próxima de Bandar Abbas, no Estreito de Ormuz.
O que se sabe sobre os alvos
Conforme as agências Reuters e Associated Press, instalações de mísseis usados contra alvos americanos na região teriam sido atingidas. O Wall Street Journal sustentou que essa foi a mais recente de uma série de ações militares dos EUA na área sem reconhecimento oficial, e que o silêncio público buscou afastar a leitura de que Washington planejava voltar a combates em larga escala.
A ilha de Qeshm fica em posição estratégica no Estreito de Ormuz, via de navegação essencial para o escoamento de petróleo e gás natural do Oriente Médio, que se tornou ponto central do conflito entre EUA e Irã e vem desestabilizando os mercados globais.
Negociação e ação militar em paralelo
Os ataques ocorreram horas depois de Trump sinalizar um possível acordo de paz com Teerã. Em sua rede social, a Truth Social, ele escreveu que o Irã quer um acordo o mais rápido possível. À Fox News, porém, horas antes da abertura da votação, Trump afirmou que os EUA ainda poderiam ter de atacar a Montanha da Picareta, instalação subterrânea no centro do Irã sob suspeita de abrigar atividades nucleares, o que Teerã nega.
O vice-presidente J.D. Vance declarou que ele e Trump estavam otimistas quanto à possibilidade de acordo. Na semana passada, o portal Axios relatou que Vance enviou carta ao chefe de segurança nacional do Irã, Mohsen Rezaei, tratando de uma eventual volta das conversas, no que seria o contato de mais alto escalão entre os dois países em meses.
O primeiro vice-presidente iraniano, Mohammad Reza Aref, afirmou que as mensagens recebidas de Washington representam um reconhecimento da vitória iraniana. O ministro do Exterior, Abbas Araghchi, confirmou que negociações indiretas com os EUA estão em curso e disse que as consultas são intensas. Mohammad Bagher Ghalibaf, principal negociador de Teerã, afirmou que o Irã está preparado para a guerra, mas apresentou uma resposta racional a Washington, e que agora cabe aos EUA evitar o conflito.
Uma autoridade iraniana de alto escalão declarou que o país estaria pronto para reabrir o Estreito de Ormuz em dois dias, mas apenas se Washington concordar com uma lista de exigências de Teerã. Em setembro, Teerã apresentou uma proposta de sete dias para reabrir o estreito, com condições como encerrar a guerra em todas as frentes, liberar ativos iranianos congelados, suspender sanções ao petróleo e pôr fim ao bloqueio aos portos do país.
O petróleo caiu mais de 7% na segunda-feira, movimento atribuído à expectativa de que o conflito, que já dura oito meses, possa terminar. EUA e Israel deram início à guerra contra o Irã em fevereiro, com uma onda massiva de ataques ao território iraniano.
Foto: Reprodução/DW Brasil
Fontes: DW Brasil — https://www.dw.com/pt-br/eua-atingem-alvos-no-irã-horas-antes-das-eleições-de-meio-de-mandato/a-79838355?maca=bra-rss-br-top-1029-rdf





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