Um levantamento que analisou transmissões de mais de 7,5 mil cultos e missas católicas, batistas e da Assembleia de Deus identificou campanha eleitoral em 237 celebrações, o equivalente a 3% do total. As gravações foram feitas nos dois domingos que antecederam o primeiro turno, em 4 de outubro, segundo a pesquisa Fé e Voto, liderada pela organização More in Common e divulgada pela DW Brasil.
Quando houve pedido explícito de voto, ele apareceu com mais frequência nas Assembleias de Deus: 8,3% das celebrações dessa confissão analisadas. Igrejas batistas registraram 1,4% e católicas, 0,7%. Os pesquisadores estimam ter examinado cerca de 10% das missas e cultos dessas confissões no país, com base em registros administrativos das igrejas católica e batista.
O que o estudo mede — e o que não mede
O percentual de 3% se refere ao conjunto de transmissões analisadas, e não ao total de celebrações realizadas no Brasil. Também não indica que 3% dos fiéis tenham ouvido pedido de voto, nem que a prática esteja restrita às igrejas gravadas. O recorte abrange três tradições religiosas e dois domingos específicos, o que limita a conclusão sobre o conjunto das igrejas do país.
Segundo Rodrigo Toniol, professor da UFRJ que liderou o estudo, o material foi obtido em transmissões públicas ao vivo, sem câmeras escondidas. Pablo Ortellado, diretor-executivo da More in Common Brasil, afirmou que a campanha eleitoral é presente e um problema, mas não é majoritária. Os pedidos de voto, quando ocorreram, foram direcionados sobretudo a candidatos a deputado estadual e federal.
Regras eleitorais e lacunas apontadas
A lei das eleições de 1997 proíbe o uso de igrejas e templos para veicular propaganda eleitoral e veda doações de entidades religiosas a partidos ou candidatos. O texto não define com clareza, porém, o limite entre uma fala de cunho moral e um pedido de voto. O Ministério Público Federal recomendou que igrejas não promovessem propaganda eleitoral em seus espaços e que líderes religiosos não usassem o espaço de fé para prejudicar candidaturas.
O estudo registrou situações em que líderes religiosos pediram que a transmissão fosse interrompida antes de falar sobre candidatos, orientaram fiéis a procurar membros autorizados da igreja para saber em quem votar e se ofereceram para adesivar veículos com nomes de candidatos. Para Ortellado, a lei eleitoral não dá conta dessas práticas e o tema demanda reflexão da sociedade religiosa, de juristas e da sociedade civil sobre regras eleitorais e éticas adequadas.
Foto: Reprodução/DW Brasil
Fontes: DW Brasil — https://www.dw.com/pt-br/campanha-eleitoral-e-discurso-por-voto-consciente-sobem-ao-púlpito-nas-igrejas/a-79670972?maca=bra-rss-br-top-1029-rdf





Deixe um comentário