Uma equipe da Universidade da Virgínia, nos Estados Unidos, analisou 1.678 relatos de crianças sobre supostas vidas passadas e encontrou um padrão estatístico no maior acervo do mundo desse tipo de caso, mantido pela Divisão de Estudos Perceptivos da instituição desde a década de 1960. O trabalho foi publicado na revista Psychology of Consciousness: Theory, Research, and Practice e divulgado pela DW Brasil.
Segundo os autores, o levantamento não serve como prova da reencarnação. A avaliação é que o fenômeno merece investigação, pois os fatores culturais e psicológicos examinados não bastaram para explicar integralmente o padrão observado. A pesquisa foi liderada pela neurocientista cognitiva Saeedeh Sadeghi.
O que o estudo mediu
O recorte reuniu apenas casos em que os pesquisadores já haviam apontado semelhanças entre declarações infantis e a trajetória de alguém morto. O objetivo não era atestar a autenticidade de memórias de outras vidas, e sim buscar regularidades no conjunto de depoimentos.
Um dos indicadores calculados foi o “tempo de intervalo”, ou seja, a distância entre o falecimento da pessoa identificada e o nascimento da criança. Havia dados para essa conta em 1.319 casos. A média ficou em 16 meses, e o maior intervalo registrado alcançou 150 anos.
Na comparação das circunstâncias das mortes, falecimentos imprevistos apareceram associados a intervalos mais curtos: 12 meses em média, contra 21 meses quando a morte era mais previsível. Conforme números reunidos pela Science Alert, a distância era cerca de 43% menor nos casos de morte inesperada.
Limites da conclusão
O perfil do acervo chama atenção por si só. Do total analisado, 57% dos óbitos foram tidos como não naturais e 68% como totalmente imprevistos, com idade média de 30 anos entre os falecidos. A Popular Mechanics observa que essa fatia é bem superior à observada nas estatísticas gerais de mortalidade.
O padrão, porém, tem alcance limitado. A variável “morte inesperada” responde por somente 2% a 3% da variação nos intervalos entre os casos. Como o estudo trabalha com dados observacionais, não é possível falar em causa e efeito nem sustentar que a consciência sobreviva à morte.
Os autores testaram vieses como contato entre famílias, confiabilidade dos registros, religião e acesso prévio das crianças às informações relatadas. A associação resistiu a esses controles, de acordo com o comunicado da Universidade da Virgínia citado pela DW. O vínculo apareceu com mais força justamente em famílias cuja religião não admite a reencarnação, o que, para o psicólogo social Philip Cozzolino, contraria a hipótese de que crenças sociais produzam o padrão.
A discussão sobre morte violenta e renascimento mais rápido não é nova. Em 1988, o psicólogo N. K. Chadha e o psiquiatra Ian Stevenson examinaram 326 casos e notaram tendência parecida. A IFL Science lembra que, naquele levantamento, a associação só teve significância estatística na Índia e no conjunto dos casos. A nova equipe buscou testar se o padrão se sustentaria em amostra maior e resistiria a explicações culturais ou psicológicas.
Foto: Reprodução/DW Brasil
Fontes: DW Brasil — https://www.dw.com/pt-br/o-que-diz-o-maior-arquivo-de-casos-atribuídos-à-reencarnação/a-79747760?maca=bra-rss-br-top-1029-rdf





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