A Espanha iniciou nesta quinta-feira, 29 de outubro, três dias de luto oficial pelas 69 mortes na colisão de dois trens de alta velocidade ocorrida na véspera perto de Urda, na província de Toledo, em Castela-Mancha. Equipes de resgate seguem procurando vítimas entre os vagões destruídos, com apoio de dois guindastes que retiraram um dos vagões de um barranco.
O balanço divulgado pelo governo regional aponta cerca de 200 feridos. Desses, 53 permanecem internados em hospitais de Castela-Mancha e 56 já receberam alta; hospitais de Madri atenderam 98 passageiros feridos. A Guarda Civil registrava até o momento 64 pedidos de familiares em busca de informações sobre desaparecidos.
O que a falha técnica revelou
Segundo o Ministério dos Transportes, o trem da Renfe, com 378 passageiros e destino a Sevilha, atingiu a traseira de um trem da Iryo, com 147 passageiros, que estava parado nos trilhos. Por volta das 8h30, uma falha de informática atingiu um trecho de cerca de 60 quilômetros e obrigou seis trens a parar, conforme o protocolo. O AVE da Renfe, porém, retomou a viagem poucos minutos depois em condições normais, percorrendo cerca de 25 quilômetros até a colisão, às 8h53.
Gravações divulgadas pelo jornal El País mostram conversas entre os maquinistas e um operador do centro de controle de Atocha, em Madri. O maquinista da Renfe recebeu às 8h36 a orientação de seguir em ‘marcha normal’, que permite até 200 km/h, embora houvesse outro trem parado na mesma linha. Às 8h48, a maquinista do Iryo informou à central que continuava parada por problemas técnicos. Não há registro, nas gravações conhecidas, de comunicação com o trem da Renfe após esse aviso.
O ministro dos Transportes, Óscar Puente, classificou as decisões do centro de controle como ‘inexplicáveis’ e ‘erradas’. Segundo as gravações, ninguém sugeriu que os trens passassem a circular em ‘marcha à vista’, limitada a 40 km/h, o que permitiria frear diante de um obstáculo. O trem da Renfe andou mais de 15 minutos antes do impacto, tempo que o ministro considera suficiente para evitar o acidente.
Luto, greve e identificação das vítimas
O sindicato Semaf, principal entidade dos maquinistas, realiza nesta quinta-feira uma greve de 24 horas na Renfe por melhorias estruturais de segurança. A paralisação havia sido anunciada dias antes e foi mantida após a tragédia. Os reis Felipe 6º e Letizia visitam nesta quinta os feridos internados em um hospital de Toledo, a cerca de 70 quilômetros do local.
A Guarda Civil instalou quatro postos — em Madri, Toledo, Córdoba e Sevilha — para que familiares forneçam amostras de DNA que auxiliem na identificação dos mortos. Também foram criados pontos de doação de sangue em Castela-Mancha e Madri.
O acidente reacendeu dúvidas sobre a segurança da rede ferroviária espanhola, que em janeiro registrou outra colisão de trens de alta velocidade em Adamuz, na Andaluzia, com 46 mortos. A nova tragédia ocorre um mês antes das eleições gerais antecipadas convocadas para 29 de novembro. Como informado anteriormente, o primeiro balanço da colisão de quarta-feira apontava ao menos dez mortos e interrupção do trecho entre Madri e Sevilha.
Foto: Reprodução/DW Brasil
Fontes: DW Brasil — https://www.dw.com/pt-br/a-série-de-erros-que-causou-o-acidente-de-trens-na-espanha/a-79795059?maca=bra-rss-br-top-1029-rdf





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