Empresas freiam uso da IA e impõem teto de gastos a funcionários

Após bilhões investidos, companhias limitam ferramentas de IA por custos altos, resultados fracos e risco de perda de conhecimento técnico.

Após bilhões investidos, companhias limitam ferramentas de IA por custos altos, resultados fracos e risco de perda de conhecimento técnico.
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Empresas que investiram bilhões de dólares em inteligência artificial passaram a limitar o uso da tecnologia diante de resultados abaixo do esperado, custos operacionais elevados e risco de erros, segundo reportagem da DW Brasil publicada em 26 de outubro. Um dos exemplos citados é a consultoria global Accenture, que afirma ter aplicado 3 bilhões de dólares na expansão de sua divisão de dados e IA.

Segundo a DW, a Accenture adotou uma estratégia agressiva: a promoção a cargos de liderança ficou restrita a funcionários que usam regularmente as ferramentas internas de IA. A pressão levou colaboradores a acionar esses sistemas caros até para tarefas simples, como resumir relatórios ou montar apresentações a partir de documentos de texto.

O que muda na prática

A partir de agora, a empresa estabeleceu um orçamento mensal de apenas 29 dólares por pessoa para aplicações de IA. Gastos acima desse valor precisarão de aprovação da diretoria. A medida separa o teto individual de uso cotidiano da autorização superior exigida para despesas maiores, conforme a fonte.

A professora Anne-Sophie Mayer, de Trabalho Digital na Universidade Ludwig-Maximilians, em Munique, explica à DW que os custos de licenciamento de modelos especializados subiram drasticamente. Muitas ferramentas exigem a compra de “tokens” caros, o que fez os gastos dispararem em empresas que generalizaram o acesso.

Além do custo, a qualidade dos resultados se tornou um problema. Conteúdos gerados por IA que pareciam profissionais revelaram-se superficiais ou incorretos, exigindo esforço extra dos funcionários para verificar e corrigir informações. O fenômeno ficou conhecido como “workslop”.

Perda de conhecimento e adoção na Alemanha

Ryan Roslansky, executivo da Microsoft, relatou em publicação no LinkedIn citada pela DW um caso de documento claramente produzido por IA que, após ser resumido por outra ferramenta, não trouxe nenhuma ideia nova. Para Mayer, a IA é útil em tarefas rotineiras, mas recomendações e interpretações de situações ainda precisam ser feitas por humanos.

Pesquisadores apontam outro risco de longo prazo: a perda de conhecimento especializado. Eric So, do MIT, alerta que terceirizar o pensamento leva à atrofia cognitiva. Mayer concorda e afirma que a IA sempre dá a entender que está correta, o que inibe o questionamento e torna as pessoas acomodadas.

Na Alemanha, dois terços de todas as empresas abriram mão de usar ferramentas de IA até o final de 2025, segundo levantamento do Instituto de Pesquisa do Mercado de Trabalho e Profissões (IAB). Entre os motivos citados estão a falta de aplicações adequadas, ausência de know-how, sistemas de TI incompatíveis e obstáculos de proteção de dados.

Foto: Reprodução/DW Brasil

Fontes: DW Brasil — https://www.dw.com/pt-br/custos-altos-e-resultados-abaixo-do-esperado-empresas-freiam-uso-da-ia/a-79731488?maca=bra-rss-br-top-1029-rdf

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