O governo de Nayib Bukele, em El Salvador, anunciou em 28 de outubro o envio de mais de 2 mil militares ao Haiti. A medida integra a tentativa de resgatar quatro soldados salvadorenhos que desapareceram em 18 de outubro, quando o blindado em que retornavam de uma visita a um mercado nos arredores de Porto Príncipe foi atingido por explosivos e incendiado.
Os quatro faziam parte da Força de Repressão de Gangues (GSF, na sigla em inglês), missão com apoio da ONU. Uma primeira operação de resgate, com cem integrantes das forças especiais salvadorenhas, fracassou. Conforme fontes oficiais ouvidas pela imprensa local, o efetivo salvadorenho no Haiti chegava a cerca de 1.300 militares até 28 de outubro.
O ataque e as buscas
A região do ataque é dominada por grupos como Chèn Méchan, Kraze Barye — chefiada por Vitelhomme Innocent — e 400 Mawozo, sob Lanmo Sanjou. Os dois líderes estão sob sanções da ONU e dos Estados Unidos. O episódio, o mais grave desde que a GSF começou a atuar no fim de 2025, segue sem reivindicação.
Autoridades haitianas classificam o caso como sequestro. Em 25 de outubro, a GSF confirmou ter recebido restos humanos localizados por funcionários de uma ONG, mas afirmou que não podia atestar se eram dos desaparecidos. O New York Times divulgara o achado na véspera. Bukele, por sua vez, garantiu que os restos “não são nossos homens”.
Após o ataque, Bukele escreveu no X, em crioulo haitiano, uma ameaça de eliminar as gangues do Haiti caso os salvadorenhos não fossem soltos. Em Porto Príncipe, comenta-se a possibilidade de novos voos fretados vindos de El Salvador. Ao jornal Le Nouvelliste, uma fonte do governo haitiano disse que a operação é coordenada com as autoridades locais e não configura invasão.
Composição e metas da missão
O envio salvadorenho, que reúne também forças especiais, supera em tamanho qualquer outro de um só país desde o encerramento da Minustah, entre 2004 e 2017. Não há definição, porém, sobre a incorporação desses militares à GSF.
Atualmente, a força multinacional reúne soldados de El Salvador, Guatemala, Jamaica, Mongólia, Sri Lanka e Chade. O comando é do general de divisão mongol Edernebat Batsuuri. O contingente está muito abaixo da meta da ONU de 5,5 mil soldados.
No início da semana, a República Dominicana anunciou que a GSF deverá alcançar esse efetivo “em cerca de três meses”, com a chegada esperada de tropas de Bangladesh. O país vizinho não enviou soldados à GSF, mas apoia a missão financeiramente e confirmou o envio de reforços militares às fronteiras como precaução.
O Haiti, nação mais pobre das Américas, vive crise profunda agravada pela alta de homicídios, sequestros, estupros e pelo aliciamento de menores por grupos armados. Quase 1,5 milhão de pessoas se deslocaram nos últimos anos. Entre janeiro e meados de setembro, a ONU registrou mais de 5.700 mortos ou feridos e mais de 230 sequestros no país.
A instabilidade forçou o adiamento do pleito presidencial e legislativo haitiano, antes marcado para 13 de dezembro e agora previsto para julho do ano que vem. O país não realiza eleições gerais há mais de dez anos. O Conselho de Segurança da ONU criou a GSF em setembro de 2025 para enfrentar os grupos armados e colaborar com a estabilização haitiana. Segundo a DW, o governo do primeiro-ministro Alix Didier Fils-Aimé não se pronunciou sobre a operação de resgate.
Foto: Reprodução/DW Brasil
Fontes: DW Brasil — https://www.dw.com/pt-br/por-que-el-salvador-está-enviando-militares-para-o-haiti/a-79798573?maca=bra-rss-br-top-1029-rdf





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