A DW Brasil publicou nesta quinta-feira, 22 de outubro uma reportagem que refaz o percurso da acusação segundo a qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o PT teriam vínculos com o crime organizado. Conforme o texto, a versão de 2026 circulou intensamente em redes sociais por meio de vídeos e publicações que, sem apresentar provas, atribuem ao presidente defesa de facções criminosas brasileiras.
De acordo com a DW, agências de checagem já desmentiram esse tipo de alegação. O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro foi multado pela Justiça Eleitoral após vincular Lula a facções sem exibir evidências.
Como a narrativa mudou ao longo do tempo
A reportagem aponta que o enredo se repete com personagens e organizações diferentes. No início dos anos 2000, quando Lula disputou e venceu sua primeira eleição presidencial, em 2002, o alvo eram as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), então no centro de uma crise internacional. Os Estados Unidos pressionavam governos da região a rotular o grupo como terrorista.
Segundo a DW, ao assumir a Presidência, Lula optou por não endossar oficialmente essa classificação, sob o argumento diplomático de preservar canais de apoio a eventuais negociações de paz na Colômbia. A escolha rendeu críticas de opositores, que lembravam a participação do PT no Foro de São Paulo e a ida de representantes das Farc a encontros do grupo nos anos 1990.
Ainda conforme a reportagem, ao longo dos anos surgiram relatos sobre contatos entre petistas e as Farc, mas nenhuma prova foi apresentada de que o partido tivesse colaborado com ações armadas ou criminosas da guerrilha. A narrativa sobreviveu em parte porque as Farc passaram a ser associadas internacionalmente ao narcotráfico, o que levava parte do eleitorado a enxergar proximidade política como vínculo indireto com o crime.
O que mudou no cenário recente
A DW relata que as Farc saíram do centro do noticiário regional após o acordo de paz de 2016, enquanto facções brasileiras como PCC e Comando Vermelho ganharam presença e influência em várias regiões. No mesmo intervalo, a segurança pública se consolidou entre as principais preocupações do eleitorado, o que deu força a discursos de endurecimento penal.
Em 2022, uma campanha de desinformação voltou a ligar o PT ao crime organizado. Um dos episódios mais lembrados, segundo a reportagem, foi a circulação de um suposto áudio atribuído a Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder do PCC. A gravação foi usada para sugerir apoio da facção a Lula, mas não trazia essa declaração e teve autenticidade jamais comprovada.
Conforme a DW, 2026 trouxe um elemento novo: o governo do presidente americano Donald Trump classificou o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Opositores brasileiros, entre eles Flávio Bolsonaro, defenderam a medida. Críticos argumentaram que a decisão poderia repercutir no debate político nacional, tema sensível ao eleitorado, enquanto o governo federal a viu como possível interferência externa em questões de soberania.
A reportagem observa que, em vários casos, dados verdadeiros, como a designação americana, foram misturados a leituras distorcidas ou imputações sem comprovação contra adversários políticos. Essa combinação de fatos reais, disputa política e alegações não demonstradas, segundo a DW, ajuda esses conteúdos a circular com facilidade nas redes.
Foto: Reprodução/DW Brasil
Fontes: DW Brasil — https://www.dw.com/pt-br/como-surgiram-as-fakes-news-sobre-suposto-elo-de-lula-e-crime-organizado/a-79730259?maca=bra-rss-br-top-1029-rdf





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