Cidade cobra rigor contra incêndios criminosos em meio a ar perigoso em Manaus

Governador convocou comitê de emergência após Manaus registrar índice de qualidade do ar de 657 pontos e fumaça impedir operações aéreas.

Governador convocou comitê de emergência após Manaus registrar índice de qualidade do ar de 657 pontos e fumaça impedir operações aéreas.
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O governador Roberto Cidade (União Brasil) defendeu neste sábado (17) punição severa para quem ateia fogo de forma criminosa no Amazonas. A manifestação ocorreu enquanto a fumaça de queimadas e incêndios florestais piorava a qualidade do ar na capital e em outros municípios do estado.

Na manhã deste sábado, a plataforma internacional IQAir registrava 657 pontos de qualidade do ar em Manaus, patamar classificado como perigoso. A medição das partículas finas (PM2.5) marcou 404,3 microgramas por metro cúbico, ou 80,9 vezes o limite anual de 5 µg/m³ preconizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Emergência e monitoramento

De acordo com o governador, o Amazonas atravessa um dos momentos mais graves da estiagem, agravada pelo El Niño. Ele informou ter chamado, em regime de emergência, o Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais (Copec), que deve definir novas ações de combate ao fogo, ampliar a fiscalização e reforçar a proteção da população.

A Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) relatou na sexta-feira (16) que ampliou a vigilância aérea sobre as áreas atingidas. O trabalho usa um Veículo Aéreo Não Tripulado (Vant) e aeronaves do Departamento Integrado de Operações Aéreas (DIOA). Conforme a pasta, as imagens obtidas nos voos auxiliam as equipes a perceber deslocamentos atípicos, chegar a eventuais autores de queimadas criminosas e orientar ações policiais nas regiões observadas.

O Ibama informou que a fumaça atrapalhou a visibilidade e inviabilizou, neste sábado, os voos de combate às chamas. As operações foram retomadas quando as condições de visibilidade melhoraram. Até a última atualização da reportagem, não havia registro de prisões de suspeitos de atear fogo em áreas florestais no estado.

Contexto e limites dos dados

O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) contabilizou, de 1º de junho a 16 de outubro, 3.710 ocorrências de incêndios urbanos e florestais e atuou em 22.557 focos em todo o estado. Manaus concentrou 4.598 registros e o interior, 17.959. Cerca de mil profissionais, entre bombeiros militares e brigadistas, estão mobilizados nas operações.

O material recebido não permite confirmar o percentual de aumento dos focos de incêndio em outubro. O Painel do Fogo apontou 651 focos ativos neste ano, mas o número atribuído ao ano anterior também aparece como 651, o que impede verificar a variação. A distribuição dos focos por tipo de área também apresenta divergências nos dados fornecidos.

A situação ocorre após o Corpo de Bombeiros afirmar que o estado não recusou apoio federal no combate aos incêndios, como o Politiza Amazonas informou em reportagem sobre o pedido de reforço aéreo. No interior, moradores de Autazes relataram desespero com o avanço das chamas, conforme relato divulgado neste sábado.

Foto: Tiago Correa/Secom

Fontes: G1 Amazonas — https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2026/10/17/quem-provocar-incendios-criminosos-precisa-responder-com-rigor-da-lei-diz-governador-apos-aumento-de-focos-no-amazonas.ghtml; Politiza Amazonas — Governo do Amazonas diz que nunca recusou ajuda federal contra incêndios; Politiza Amazonas — Moradora de Autazes relata desespero com incêndios e cobra apoio do poder público

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