A Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, confirmou nesta sexta-feira (30) o roubo de cerca de 6,3 bilhões de dólares (R$ 34,1 bilhões) em ativos digitais. Os saques foram suspensos temporariamente após o que a empresa descreveu como o maior roubo já registrado contra uma corretora do setor. O caso mobiliza o FBI e o Serviço Secreto dos Estados Unidos.
Entre os ativos levados estão Bitcoin, Ethereum e stablecoins como Tether (USDT) e USD Coin (USDC), cujos valores são atrelados a moedas tradicionais. Dados públicos da rede blockchain indicam que o grosso da subtração se concentrou em aproximadamente 20 minutos, com início logo após as 17h de quinta-feira, no horário de Brasília.
O que já se sabe sobre a invasão
Segundo o co-CEO da Binance, Richard Teng, o ataque foi complexo, não foi obra de uma única pessoa e envolveu um laptop comprometido e um software malicioso projetado para apagar rastros à medida que avançava. Os invasores teriam manipulado um sistema usado para aprovar transações e mover fundos de uma carteira conectada à internet controlada pela empresa, fora dos controles normais de autorização.
A Binance sustentou que as evidências disponíveis até agora não apontam comprometimento das chaves privadas das carteiras. A corretora ainda não indicou um responsável, mas empresas americanas de análise de blockchain citaram semelhanças com operações anteriores atribuídas a hackers da Coreia do Norte.
A TRM mencionou o ataque do ano passado à Bybit, quando 1,5 bilhão de dólares foram roubados e o FBI atribuiu a ação ao grupo TraderTraitor. A Chainalysis disse que os fundos da Binance estavam sendo misturados a recursos de outro ataque atribuído à Coreia do Norte contra a Bitget, em setembro.
Por que metade do valor pode ser rastreada
Cerca de metade dos 6,3 bilhões de dólares consistia em stablecoins já congeladas por emissores como Circle, Ripple e World Liberty Financial, projeto de criptomoedas ligado à família Trump. USDT e USDC têm uma característica incomum: seus emissores podem bloquear esses ativos remotamente. O congelamento não significa devolução automática à Binance, mas reduz a capacidade dos invasores de converter os valores em dinheiro.
A situação é diferente para Bitcoin e Ethereum. Como nenhuma empresa os emite, não há emissor capaz de congelá-los. Patrick Tan, diretor jurídico da ChainArgos, explicou que essas moedas só podem ser bloqueadas se o invasor as enviar a uma corretora disposta a congelá-las ou se as autoridades obtiverem as chaves privadas. A TRM estimou que aproximadamente 2,4 bilhões de dólares em Bitcoin e Ethereum estão fora de alcance.
Para Bernardo Brites, CEO da Trace Finance, o prazo para transformar o dinheiro roubado em recursos limpos é curto: passadas as primeiras horas, o mercado reconhece os fundos marcados e os valores tendem a permanecer intocados por anos.
Teng afirmou que o prejuízo será absorvido pelo fundo e pelos recursos da própria empresa. A corretora mantém uma reserva de 1 bilhão de dólares em bitcoins para proteger clientes em caso de falhas de segurança, segundo seu site. A previsão informada é de que os saques sejam retomados em um ou dois dias.
A Binance tinha 335 milhões de usuários registrados no mundo e cerca de 162,8 bilhões de dólares em ativos sob custódia, conforme seu relatório anual de 2025. O ataque abalou a confiança no setor: as criptomoedas tiveram queda e o valor total de mercado das stablecoins recuou, sinalizando retirada de investidores.
O episódio também aumentou a pressão sobre a corretora, que opera sem sede fixa e já foi criticada por não ter licença no âmbito do regulamento europeu de mercados de criptoativos (MiCA). O especialista em cibersegurança Kok Tin Gan, da NyxLab, disse que o caso levanta questionamentos sobre a arquitetura de segurança da empresa e descreveu a ação como uma única assinatura que teria dado ao invasor acesso irrestrito e sem data de validade a uma carteira quente da Binance.
A Coreia do Norte não se pronunciou sobre o episódio e costuma negar envolvimento em ataques cibernéticos. Segundo a inteligência sul-coreana, Pyongyang obteve 1,1 bilhão de dólares entre 2018 e 2022 só com roubo de ativos virtuais. A TRM Labs registrou 2,9 bilhões de dólares roubados em quase 150 incidentes no ano passado.
Foto: Reprodução/DW Brasil
Fontes: DW Brasil — https://www.dw.com/pt-br/us-6-3-bilhões-como-aconteceu-o-maior-roubo-de-criptomoedas-da-história/a-79810808?maca=bra-rss-br-top-1029-rdf





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