Audi anuncia fábrica nos EUA em comício de Trump e enfrenta críticas na Alemanha

Montadora prevê US$ 4 bilhões e 4,5 mil empregos na Geórgia; participação do CEO em ato republicano gera reação de SPD e IG Metall.

Montadora prevê US$ 4 bilhões e 4,5 mil empregos na Geórgia; participação do CEO em ato republicano gera reação de SPD e IG Metall.
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A Audi confirmou a instalação de uma fábrica no estado da Geórgia, nos Estados Unidos, com investimento previsto de 4 bilhões de dólares (cerca de R$ 21,7 bilhões) e criação de 4,5 mil postos de trabalho. O anúncio foi feito pelo presidente americano, Donald Trump, em um comício eleitoral na Geórgia no sábado (24), a duas semanas da eleição ao Congresso marcada para 3 de novembro, e depois confirmado pela montadora alemã.

Segundo a DW, as obras têm início previsto para 2027 e a capacidade planejada é de até 200 mil veículos por ano, com produção a partir do começo da década de 2030. A unidade fabricará SUVs para o mercado americano. A Audi, que integra o grupo Volkswagen, descreveu o passo como um “compromisso de longo prazo” com um dos mercados premium mais importantes do mundo.

Críticas na Alemanha

A participação do CEO da Audi, Gernot Döllner, no comício ao lado de Trump concentrou as críticas na Alemanha. A porta-voz de política de transportes do Partido Social-Democrata (SPD), Isabel Cademartori, disse que Döllner faz campanha para um autocrata que trava uma guerra comercial contra a Alemanha e classificou a situação como uma vergonha, citando o histórico do Grupo Volkswagen na Segunda Guerra Mundial.

A presidente do sindicato IG Metall, Christiane Benner, chamou a presença no ato de extremamente constrangedora, politicamente inaceitável e indigna da empresa. A chefe do conselho de trabalhadores da Volkswagen, Daniela Cavallo, afirmou que Döllner se deixou transformar em um fantoche no espetáculo de propaganda de Trump, embora tenha observado que a fábrica nos EUA pode fazer sentido do ponto de vista empresarial.

Um porta-voz da Audi defendeu o investimento, dizendo que ele não é uma decisão contra a Alemanha, mas um passo para fortalecer a competitividade global da empresa. Manfred Döss, presidente do conselho de supervisão da Audi, argumentou que cortes de custos e ganhos de eficiência, sozinhos, não bastam para assegurar o futuro da montadora.

Tarifas e pressão eleitoral

Trump atribuiu o investimento às tarifas de 15% impostas sobre veículos fabricados na Europa, afirmando que a iniciativa não teria acontecido sem a taxação. A Audi informou que as tarifas lhe custaram cerca de 1,2 bilhão de euros (R$ 7,2 bilhões) no ano passado. As vendas da marca nos EUA caíram 16% no último ano, com pouco mais de 160 mil veículos vendidos.

O anúncio ocorre em um momento de crise do setor automobilístico alemão, com pressão da concorrência chinesa, aumento de custos e anúncios de demissões. A Volkswagen se prepara para eliminar até 100 mil empregos até 2030, e a unidade da Audi em Neckarsulm, com cerca de 15 mil funcionários, está entre as quatro fábricas que podem ser fechadas.

A DW aponta que o anúncio parece ter sido programado para coincidir com as eleições legislativas de 3 de novembro, que definirão a maioria no Congresso nos últimos dois anos do mandato de Trump. A escolha da Geórgia, estado decisivo nas disputas eleitorais, é vista como uma estratégia para fortalecer candidatos republicanos locais. O investimento da Audi segue iniciativas semelhantes da Stellantis, da Toyota e da Honda, enquanto General Motors e Ford também prometeram ampliar a produção doméstica.

Foto: Reprodução/DW Brasil

Fontes: DW Brasil — https://www.dw.com/pt-br/em-crise-na-alemanha-audi-anuncia-fábrica-nos-eua-e-é-acusada-de-ajudar-trump-em-eleição/a-79774486?maca=bra-rss-br-top-1029-rdf

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