A Procuradoria Federal dos Estados Unidos abriu investigação criminal sobre a candidatura de Daniel J. Sullivan Jr., professor aposentado sem filiação partidária que disputa o Senado pelo Alasca com o mesmo nome do senador republicano Dan Sullivan, que tenta a reeleição. O principal procurador federal no estado, Michael Heyman, confirmou a apuração nesta sexta-feira (30).
A disputa no Alasca é acompanhada nacionalmente porque pode influenciar o controle do Senado. Os republicanos têm 53 cadeiras e os democratas, 47. Um impasse judicial prolongado poderia adiar por semanas a definição de quem terá a maioria na Casa.
O que está em apuração
Reportagem do New York Times publicada nesta semana afirma que aliados da democrata Mary Peltola teriam recrutado o professor para confundir eleitores republicanos na cédula. A ex-gerente da campanha de Peltola, Elisa Rios, afastada do cargo em agosto, declarou ao jornal que a candidata sabia da iniciativa.
Peltola nega. Segundo a fonte, ela declarou não saber de qualquer outro candidato na cédula além dela e do ocupante do cargo, e afirmou não ter interesse em enganar eleitores. Daniel J. Sullivan Jr. também sustenta que não foi incentivado por democratas e nega contato com a campanha. Em junho, após anunciar a candidatura, disse que não tinha havido nenhum contato desse tipo.
O governador republicano Mike Dunleavy determinou uma apuração estadual e afirmou que eventuais irregularidades poderão afetar até a posse do futuro ocupante da vaga. O Departamento de Justiça informou que busca separar as cédulas em que Daniel J. Sullivan Jr. foi escolhido, para investigar possível confusão entre eleitores.
O que já foi decidido e o que ainda depende da Justiça
A ação do governo do presidente Donald Trump, apresentada em versão revisada na quinta-feira, pede o bloqueio dos resultados no Alasca caso o senador Dan Sullivan seja derrotado por pequena margem. Advogados do governo afirmam na petição que a candidatura do professor foi orquestrada para enganar eleitores e eleger Peltola. Os advogados da democrata pediram à juíza federal Sharon Gleason que rejeite a ação, alegando falta de competência da União para conduzir o caso.
Antes, o órgão regulador eleitoral do Alasca tentou impedir que Daniel J. Sullivan Jr. aparecesse na cédula, por avaliar que o registro não seguiu a exigência de atuação séria e visava induzir o eleitor ao erro. Os tribunais estaduais, porém, reverteram a decisão, observando que a legislação estadual não exige boa-fé no registro. A Constituição dos EUA atribui principalmente aos estados a administração das eleições.
Não há definição sobre eventuais crimes. Uma possibilidade citada é o enquadramento em norma federal de 1871 que pune conspirações para privar cidadãos de direitos constitucionais, inclusive o voto. A lei nasceu para combater a Ku Klux Klan. Especialistas lembram ainda um caso de 2023, quando um influenciador foi condenado por conspiração contra direitos civis por divulgar informações falsas sobre a eleição de 2016. A condenação foi anulada em 2025 pela Corte de Apelações do 2º Circuito, que apontou ausência de prova de articulação entre ao menos duas pessoas.
No sistema americano, o eleitor não escolhe um nome de urna, como no Brasil, e a votação ocorre em papel. A cédula do Alasca traz o senador Daniel S. Sullivan, identificado como ocupante do cargo, o professor Daniel J. Sullivan Jr., Mary Peltola e um quarto candidato sem chances relevantes de vitória.
Foto: Reprodução/DW Brasil
Fontes: DW Brasil — https://www.dw.com/pt-br/candidatos-homônimos-causam-confusão-em-eleição-no-alasca/a-79813892?maca=bra-rss-br-top-1029-rdf





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